Capitulo 41 – A Concha Mágica

Essa viagem custou mais caro do que esperava. Eu perdi minha mochila no mar, Alice perdeu um dos seus sapatos mágicos e só mesmo por muita sorte não perdi minhas armas. Desde que acordei estivemos explorando a ilha durante o tempo que estivemos aqui. Parece que ninguém nunca havia estado aqui antes e graças a isso ambas ganhamos o título [ Exploradora ], segundo Alice à voz da habilidade diz que podemos nomear a ilha.

Eu andei pela mata e percebi que as cobras ignoraram minha presença enquanto consideraram Alice uma ameaça.

“Mag, me protege!”
“Pensei que já tinha acabado essa fase de acharem que sou deusa das cobras.”

Eu à peguei com meu cajado, não sei por que ela não se importa, então vou perguntar para o Análise. Por que as cobras me ignoram?
[ Resposta: Você naturalmente possui a mesma temperatura e cheiro de um carvalho. As cobras percebem seu movimento no solo e podem te ver, mas a identificam como um árvore em movimento. ]
Oh, faz sentido. Não tinha percebido que minha temperatura era diferente, não toco muito as pessoas para ter notado.

Como estou ficando com fome e já está entardecendo, eu decidi caçar alguma coisa.
Saquei meu arco e mirei um pássaro gordinho que parece uma galinha azul, mas no momento que tensionei mais a corda o arco quebrou e a flecha vôou errada, acertando do lado da cabeça de Alice.

“Caramba Mag! Cuidado!”
“Deve ter sido durante o naufrágio… Eu nem percebi que estava danificado.”

O pássaro vôou e eu continuo com fome, então decidi deitar e fazer fotossíntese por enquanto.

Eu e Alice decidimos agir cada uma por si já que não conseguimos concordar, enquanto eu usei minha magia Aru para conseguir madeira para fazer uma lança pra pescar e montar uma cabana e Mek para criar pedras que soltam faísca quando batem, Alice ficou o tempo todo deitada com uma concha na orelha.

“Por acaso você fala com conchas?”
“Não Mag, é o mar falando comigo.”
“Ah tá. Aproveita e fala com a tal bruxa do mar pra ela tirar a maldição daquele cara.”

Ela me ignorou, então voltei a tentar fazer a fogueira. A umidade e o medo de me transformar numa tocha viva estão atrapalhando, mas pelo menos tô fazendo alguma coisa ao contrário daquela ali.

“Quero ver se sua concha vai te dar comida, fogo e abrigo!”

De repente uma onda enorme bateu na praia caindo em cima de Alice, eu tomei um baita susto e corri para ajudar, mas quando a água recuou ela estava no mesmo lugar com uma tenda de madeira e folhas do lado, palitos de madeira fazendo um círculo em volta uma lenha pronta para ser acendia mais a frente da tenda, peixes caíram nas varas de madeira e então um raio cai exatamente no lugar certo acendendo a fogueira.

“Mas o que…?”
“Confie na concha Mag.”

Um par de óculos de sol, que só os deuses sabem de onde veio, cai no rosto dela e ela sorri sarcástica.
Eu larguei o que estava fazendo e fui me sentar ao lado dela, então falei sarcástica:

“Todos saúdem a concha mágica!”

Mas por algum motivo o clima estranho dessa ilha fez chover justamente onde eu estava, parando no meio entre eu e ela.

“Ok, é oficial. Os deuses me odeiam.”
“Só aquela dragão e a deusa do mar.”

“O que eu fiz para o mar?! Eu nunca joguei lixo na praia nem nada! E é a primeira vez que viajei para mar aberto!”

“O mar me disse que a deusa odeia candidatos a Overlord, todos os Overlords e toda linhagem sanguínea de Szalbar Bhalzarf.”
“Que bom que não pretendo ser uma maou e nem sou parente desse cara. E PODE CHOVER MAIS QUE EU TÔ CURTINDO!! EU SOU UMA PLANTA!!”

Tô gritando com o céu, a que ponto chegamos… Essa ilha já está me deixando louca em menos de um dia…
Logo após meu grito a chuva parou e senti o clima ficar mais seco, como se toda umidade do ar me evitasse. Parece que a deusa controla toda água desse mundo, está fazendo uma seca ao meu redor!
Fui beber a água do cantil, mas evaporou da garrafa!

“Me desculpa! Eu prometo que não vou fazer nada errado! Eu até vou ajudar nas campanhas para proteger o mar! Salve as baleias!”

Têm baleias nesse mundo?
[ Resposta: Não no mar. ]
OK. Isso é estranho, mas ok.

“É… Salve as hidras! E as amigas plantas das hidras!”

Senti uma brisa vinda do mar e o som foi como um suspiro, as ondas trouxeram minha bolsa cheia de algas, com os livros provavelmente estragados e senti o clima voltar ao normal.

“O mar disse que ela perdoa você. E que não pode te culpar pelo que seus pais fizeram.”
“Meus pais?”

Uma árvore e… O que? Não, não deve ser o que imaginei. Será que dríades colocam ovos nas árvores?
[ Resposta: Não, são plantas feéricas parasitas. ]
Nossa! Me sinto mau pela mãe-    árvore… Mas mais importante, devo saber quem são meus pais.

“Senhora deusa, você pode me dizer quem são meus pais?”
“Não.”
“Nossa, um ‘não’ assim tão seco.”

Pera, essa voz veio da direção de onde Alice está. Eu me virei para ela e os olhos brilhavam em azul marinho, os cabelos ondulavam e até as feições faciais pareciam mais velha e mais sábia. Bem, agora ela parece mesmo a sacerdotisa de alguma coisa.
Usei Análise e estava tudo o mesmo, exceto pelos títulos [ Oráculo do Mar ] e [ Caçadora de Piratas ] que são novos.

“Se você seguir os passos de seu pai, encontrará apenas perdição e dor, assim como ele. Sua mãe fez de tudo para te proteger, até seu último momento.”

Perai, isso tá ficando grande bem rápido. Eu tenho um pai? Minha mãe é uma árvore mesmo ou o que? A deusa possuiu Alice pra falar comigo?
[ Error. Muitas perguntas. ]
[ Respostas: Sim. Sim-Não. Sim. ]
Sim-Não? Eu acho que buguei o Análise.

“OK, me conta sobre minha mãe primeiro.”
“Não!”

Ela é muito intensa e muito direta… Quando falou levantou a mão e fez ondas se chocarem para dar um efeito dramático.

“Por que não? Eu não posso saber quem ela era ou como ela era? Nem meu pai? Eu nem sabia que tinha pai e mãe aqui!”
“Você, criança do carvalho, ainda tem muito o que descobrir antes de saber a verdade. Eu percebo que não há como impedir o irá acontecer quando você encontrar ele, mas não diga que não avisei.”

“Ele” quem? Meu pai? O MEU pai?

“Juliana. Katrina. Levem essas duas para o reino dos filhos de Alavari.”

Duas anjas vestidas com armaduras de conchas e escamas apareceram quando foram chamadas. Elas são Valquírias da deusa do mar, segundo o Análise. 

Elas nos pegam pelos braços e nos levam voando na direção do mar.

“Ei, pera aí! Vocês não vão nos soltar na água né?”

Elas não respondem, estão com expressões estáticas como robôs. As duas anjas voam para o alto, então nos seguram com um abraço e viram de cabeça para baixo fechando as asas para mergulhar.

“Ei! Não! Vocês vão matar a gente com um golpe de wrestling!”

E então elas mergulham, meu corpo afunda velozmente junto desta celestial, a pressão força meu corpo de todas direções e eu não consigo respirar. Será que acaba assim ou é mais uma quase morte pra lista…?

*****

Revisão: Wgamer
Esqueci de botar isso nos outros capítulos que você revisou, foi mau.

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[ÆSIR] Ficha de Personagens Editável e PDF

Yooooooooo!

Após muitas mudanças e edições, fiz a versão definitiva da ficha de RPG ÆSIR. Não queria adicionar uma terceira página, mas no final acabou ficando melhor assim e é opcional, apenas para personagens que usam magia.

Já que tô no trampo agora postando isto de um local fora da vista das câmeras, não tenho tempo para explicar melhor, então deixe qualquer dúvida nos comentários que mais tarde respondo.

Versão em PDF: baixar ou ver online

Versão Editável: baixar

MW 31 Super Fast Jellyfish

Mais uma luta está prestes a começar, os olhos atentos de nossos quase heróis estão focados na arena de terrenos rochoso e irregular, cheio de de pedras e obstáculos que podem ser usados para atacar e defender.

Dos quatro lutadores, a que mais se destaca é com certeza aquela com cabelo desgrenhado multicolorido que entrou dando piruetas acrobáticas ao som de uma música de Natal remixada para uma música de raeve, então tomou o microfone do árbitro.

Crazy Night: GIMME LOVE BANANA!!

O árbitro tomou de volta o microfone e anunciou as regras novamente, com adição de uma punição para quem tocar nele de novo.

Jey: Na moral, até eu achei ela doida!
Ran: Caramba!

Doc chegou e se sentou ao lado deles com um pacote de salgadinhos e um refrigerante.

Doc: Perdi muita coisa?
Star: Não, só as entradas mesmo.

Os quatro competidores agora são a bruxa louca Amy “Crazy Night” Warschten, o Tritão Kaleb Edibal com uma lança de cristal e partes do seu braço e ombro coberto por cristais azuis, a pequena cait sith com roupas de quem vive no deserto Xaya Tinkan e o esqueleto boxeador Tim “Neo” Roman.

Neo: Eu acabar com vocês seus fedidos!

Ele parte pra cima de Kaleb com um soco e Kaleb reagiu se protegendo com o braço cristalizado, o impacto quebrou partes do cristal e empurrou o tritão pra trás. Logo em seguida viria um gancho de esquerda, mas seu braço foi preso e puxado para trás, a pequena gata bípede segurava ele com fitas quase invisíveis e planejava o imobilizar para ganhar a luta rápido.

Mas a bruxa tinha um plano diferente, para ela não teria graça apenas imobilizar um adversário como os vencedores anteriores fizeram, ela queria ganhar por ser a última de pé.

Crazy Night sacou um chiclete do bolso e começou a mascar, então correu na direção da parede parecendo ignorar os outros três, então Kaleb atirou um dardo de cristal de seu braço, mas ela desviou num pulo digno de uma atleta olímpica e continuou correndo até a parede.

Conde: Ela é bem rápida para uma humana!
Star: Talvez seja um feitiço de aprimoramento, mas não vi ela conjurar.

A bruxa então violou as leis da gravidade e subiu na parede correndo nela paralela a chão, a cait sith se distraiu e afrouxou as fitas sem perceber, o esqueleto aproveitou a oportunidade para socar ela no queixo de baixo para cima a jogando para o alto, o tritão e a bruxa viram e ambos miraram o pequena felina.

Kaleb: Yaaaaah!!
Crazy Night: Venon Shot!

Kaleb jogou a lança de cristal ao mesmo tempo que ela atirou um Psycho venenoso com o dedo da mesma forma que Ran faz com luz, Xaya só poderia desviar ou se defender de um, então girou no ar como os gatos fazem e se cobriu com fitas mais resistentes como em um casulo.

Cleo: (Essa técnica! É como minhas faixas!)

Dentro do casulo de fitas ela estava ofegante assustada com a lança de cristal que atravessou sua defesa e quase acertou sua cabeça, do lado de fora o Tritão fez um gesto com a mão e puxou a lança de volta rapidamente trazendo o casulo junto. Num momento de desespero, ela desfez a defesa tentando fugir, mas já estava a caminho do punho do esqueleto que veio interromper a trajetória e sem poder escapar da inércia, ela recebeu o ataque no estômago com toda força do inimigo combinada com a velocidade que estava voando!

Neo: Toma essa sua sarnenta!
Ran: Tadinha!
Star: Isso foi brutal…

A pequena felina caiu no chão sentindo uma dor intensa, Crazy Night riu disso.

Crazy Night: Bravo! Bravo! Magnífico!

Então, ela cruzou os braços e foi disparada da parede como uma bala de canhão na direção do esqueleto, atingindo ele com a cabeça. Ninguém entendeu bem como ela fez isso, mas logo que a poeira abaixou, a marca de explosão na parede da arena onde estavam seus pés deixou claro qual foi sua manobra.

Jey: Ela usou o Modo Explosão para ganhar impulso e deve ter aumentado sua defesa na cabeça e pés com outra magia de aprimoramento!
Ran: Ela é tão incrível quanto a Carone!
Conde: E duas vezes mais insana que o Jey…
Jey: Ah meu amigo, não duvide de minha capacidade de fazer merda.

Kaleb não perdeu tempo e atacou os dois inimigos que estavam no chão após o ataque de Crazy Night, ela sorriu e pulou pra cima do tritão atrapalhando a mira dele e fazendo errar o tiro.

Crazy Night sorriu com a língua para fora, pronta para colocar mais um chiclete na boca, embora ela ainda continua com o anterior. Xaya acorda ainda sentindo as dores da pancada e enrola seu corpo com fitas verdes para se curar. O esqueleto se levantou e socou no rosto da bruxa, ela olhou para ele sorrindo sádicamente e segurou o braço ossudo.

Neo: Solta meu braço tua fedida!
Crazy Night: Vamos começar a festa…

Ela arrancou o braço do esqueleto!

Neo: AAAAAAAAAAH!!!!

E então a bruxo usou o próprio braço do seu adversário para bater nele mesmo, o tritão tentou fugir assustado, mas sentiu seu pé preso e viu uma cobra colorida transparente enrolada no pé dele, então com um movimento de mão a bruxa puxou ele na direção de sua mão com seu psycho e bateu com o braço do esqueleto, o jogando de volta para o chão duro de pedra.

A cait sith tentou se esconder em meio às rochas, a bruxa só notou que ela sumiu quando o braço do esqueleto e o rosto do tritão estavam fraturados com ambos desmaiados de dor.

Crazy Night: Eldritch Watcher!

Ela tirou o chapéu e uma criatura feita de seu poder Psionico, assim como a cobra de antes, emergiu do topo de sua cabeça, tinha um enorme olho no centro e mais vários olhos na ponta de cada tentáculo. Esse constructo não é um ser vivo real, assim como as plantas de Carone, mas isto que o faz mais perigoso porque o que não têm vida, não pode morrer.

Xaya estava tentando controlar sua respiração, ela se concentrou nas ondas e pode ouvir o som baixo das ondas dos inimigos desmaiados, também o som desconexo e confuso em movimento e outra onda semelhante se movendo de forma confusa, em um zigue-zague sem padrão. A pequena felina não via sua inimiga, não tem como saber qual alvo é a bruxa e não sabe o que é o quarto ponto emanando ondas. Ela avaliou suas opções:

– Se esconder até o tempo acabar, mas vai acabar perdendo na morte súbita.
– Tentar atacar um dos dois que estão se movendo, mas se escolher errado vai perder.
– Preparar uma armadilha, mas a bruxa pode mandar o inimigo falso.

Crazy Night: Encontrei!
Xaya: Kyaaaaaaah!!

O problema é que não pode executar nenhum dos seus planos…
A bruxa havia escondido sua presença e deixado uma pequena esfera de veneno emitindo ondas se movendo junto com seu outro constructo, confundindo perfeitamente a adversária!

Xaya: Não! Não! Fica longe de mim!

O sorriso maníaco estampou o rosto da humana de cabelos coloridos, o veneno saia de suas mãos escorrendo pelas unhas longas e gotejava no chão rochoso, lentamente ela se aproximava da sua presa apreciando o momento, a sensação de ter sua vítima indefesa paralisada de medo, pedindo clemência com os grandes olhos de gato enchia seu corpo de emoção e mais veneno ela produzia ansiosa para finalizar sua inimiga.

Juiz: Já chega! Essa quantidade de veneno será letal! Se usar, será desclassificada!

O juiz se mostrou mais poderoso do que sua aparência de um hobgoblin de meia idade demostra, aparecendo lá mais rápido do que até mesmo os olhos de Conde puderam ver e segurando o braço da bruxa sem se preocupar com o veneno. Ela olhou para o juiz como uma criança rebelde pronta para bater nele, mas o olhar firme do juiz a intimidou.

Crazy Night: Aff… Tá certo.

O susto passou, a pequena cait sith caiu de joelhos derrotada, seus músculos tensos relaxaram, o coração diminuiu o ritmo e felizmente o veneno de Crazy Night deixou o chão tão molhado que ninguém reparou o que aconteceu quando seus músculos relaxaram.

Juiz: A vencedora é Crazy Night!
Ran: Meu Deus! Eu não quero ter que enfrentar ela…
Jey: Eu quero!
Conde: Isso eu quero ver, vai ser como uma briga no hospício.
Star: Mas vocês repararam que, mesmo sendo uma bruxa, ela não mostrou nenhuma magia?
Jey: Huhuhu… Ela não é a única escondendo seu verdadeiro potencial…

Enquanto eles falavam, Doc aproveitou para comer toda pipoca sozinho. Logo vai começar outra rodada, então Jey e Conde desceram para buscar mais coisas para comerem.

Conde: Voltamos logo.
Jey: Ainda bem que não disse “logo” e não “em breve”…

****

Curiosidade aleatória: a ideia pros nomes Kaleb, Xaya e Tim vieram das letras de uma placa de carro.

Capitulo 40 – Estou Em Um Barco!

A viagem de barco leva dias porque invés de seguir 200 quilômetros em linha reta temos que contornar ninhos de monstros e território de caça de dragões não tão amigáveis quanto aquele que é rei da cidade draconiana, então os menestréis são sempre bem-vindos a bordo. Isso inclui Alice, que foi quem garantiu nossa carona em troca de músicas e poesia, embora ela não conheça nenhuma canção popular ou lenda daqui, ela divertiu os marujos com histórias que ela viu nos filmes do nosso velho mundo.

“Nossa, o mago cinza morreu?!”
“Sim, mas não se preocupem porque…”
“Opa opa opa, calma Alice. Isso é spoiler.”

As vezes ela se adianta então estou cuidando para que não fique confuso para eles e nem estrague as surpresas.
O capitão engoliu todo conteúdo da caneca que bebia de uma vez só e arrotou fogo azul.

“Depois conta de novo aquela dos cavaleiros-samurais com espadas de luz!”
“Claro!”
“Pois é, aquele foi incrível!”
“Quem diria que o samurai negro era o pai do herói o tempo todo?!”
“Eu quero ser como aquele cara legal e me casar com uma princesa também!”

E ela contou de novo, mesmo que já saibam tudo, gostaram tanto dessa história que eles entenderam como sendo sobre cavaleiros-samurais com poderes psionicos em navios voadores guerreando nas estrelas. Eu me sinto meio mau porque morremos antes de ver a nova trilogia. Após mais algumas versões distorcidas de filmes, graças aos comentários da tripulação eu acabei descobrindo que existem mesmo tesouros piratas enterrados, ilhas com dinossauros e vermes gigantes do deserto que engolem pessoas.

“Ei Lanalel, conta uma de suas histórias também!”

Eles falaram com um menestrel que estava afinando seu alaúde, ele era da mesma raça que eles, um draconiano marinho de escamas azuis decoradas com tatuagens brancas e joias penduradas nas barbatanas da cabeça e colar de conchas. Notei que os nomes deles eram quase todos bem líricos, soam como parte de um poema ou música da língua deles.

Lanalel se aproximou e começou a tocar o alaúde com uma maestria muito superior a de Alice, mesmo sem usar Análise fica claro que ele têm um nível mais alto e mais anos de prática.

“Acredito que todos já tenham ouvido essa lenda, mas nunca como eu contarei…”

É, então bardos e menestréis realmente falam isso. Achei que era só um clichê de RPG.

“…a lenda daquele que trás a Tempestade.”

Tempestade?!
Alice me olhou como se dissesse “pensou o mesmo que eu?!” e eu confirmei com a cabeça espantada.
Ela não viu o asura que matei, mas já viu meu poder e contei tudo para ela. No sétimo dia, a Fúria da Tempestade cairá, lembro dessa antiga profecia que Zefferi mencionou.

“Vocês fugirão ao ouvir seu nome em horror, mas ele não para, nem por clemência nem por dor. O nome jamais pronunciado, nunca deixa sobreviventes quando avistado.”

Eu engoli seco.

“Se não deixa sobreviventes, quem conta as histórias?”
“Isso não importa! Céus, isso me causa revolta…!”

Um dos marujos mais velhos deu um tapa na cabeça desse que perguntou.
Ele faz alguns acordes no seu alaúde e começa a cantar a música sobre a lenda, sinto uma mudança no mana ao nosso redor e o local fica mais esfumaçado, com brilhos azuis como faíscas na fumaça.

“O Portador da Tempestade vêm do nada, movendo-se como chuva e dançando nos trovões!”

Ele toca seu alaúde fazendo soms que eu nem sabia que eram possíveis de se fazer nesse instrumento.

“Não há porque fugir, quando ele marca… É hora de morrer!”
“Waaaaah!!”

Que susto!
Ele fez a fumaça virar boneco dando um bote falso, ameaçando atacar a gente. Os marinheiros riem de mim e de Alice, já sabiam que isso ia acontecer.

“O trapaceiro é o culpado, por causa dele o céu foi rasgado e luz da lua enlouquecedora libertou a fera destruidora.”

Ele fez uma esfera de luz cair na mão do boneco de fumaça e então ele fechou a mão sumindo com a luz ao som triste do alaúde.

“Em eterna dor ele caça, para esquecer o resultado de sua trapaça. Fogo cai do céu por onde quer que vá, não há escapatória se você estiver lá.”

Estou começando a achar que não se trata de um asura, mas o jeito que eles têm para explicar uma chuva de meteoros.

“Não é cometa ou meteoro, e pela nossa segurança eu oro. Não seja tolo de se enganar, você não vai querer confirmar.”

Só eu tive a impressão de que colocaram esse verso por causa de renascidos palpiteiros?
[ Resposta: Não. Até hoje 14 pessoas tiveram a mesma impressão. ]
Não importa o quanto a habilidade de Análise evolua, isso não sabe o que são perguntas retóricas…

“Tomem cuidado seja você plebeu ou rei, você jamais quer ser a vítima de…”

No momento que ele ia falar o nome, o barco balança derrubando o poeta e fazendo dissipar sua magia ilusória. Mas de algum modo, vi a figura de fumaça sorrir antes de desaparecer, foi bizarro!

“Ai!”

Eu senti uma dor na cabeça e cai.

“Mas que cabeça dura!”
“É madeira?”
“Sei lá, bate de novo!”
“Arud…!”

Eu senti outra pancada antes de terminar meu feitiço, minha visão escureceu vendo botas de couro e meu braço estendido quase conjurando a magia.

.
.
.

Eu abri meus olhos e me vi em meio a centenas de criaturas dançando numa espécie de ciranda envolta de um sacerdote com chifres e tochas.
Onde estou?! Cadê minhas roupas?! O que é isso?!
Análise, o que tá acontecendo? Análise?!
Eeeeeeeei Análise!!
Ok, agora ferrou…

Olhei para os lados, as criaturas agarradas em mim devem saber mais que eu.
A figura com cabeça de peixe do meu lado direito se vira praquele com cabeça de galo do meu lado esquerdo, me ignorando aqui no meio.

“Que role é esse Cleber?”
“Eu sei lá bicho!”

Ok. Nem eles sabem o que está acontecendo.
Ferrou!!!!!
Eu tento fugir dessa ciranda, mas não sinto meu corpo, meu corpo não me obedece!
O que tá acontecendo?!

Eu sinto uma grande quantidade de ar entrando e enchendo meus pulmões, então foi como se eu fosse puxada para trás muito rápido ao mesmo tempo que sinto um soco no tórax.

“Waah! Cof! Cof!”

Acordei cuspindo água, sem entender o que aconteceu e onde estou.

“Viva! Você tá viva!”
“Que…?”

Vi Alice, areia branca, o mar e algumas coisas largadas no chão.

“O que aconteceu?”
“Piratas! Eles atacaram o navio, mas eu salvei a gente!”
“…Provas.”
“Oi?”
“Quero provas de que tá falando a verdade.”

Não é que eu não confie na honestidade dela, eu não confio na habilidade dela.

Alice apontou o braço para o mar com uma cara de raiva, tinham dois navios naufragados e vários corpos na areia, a maioria não eram da tripulação que ajudou a gente, mas têm alguns dos levias ali.

“Estamos naufragas agora?”
“Sim. Tentei ir buscar ajuda nadando com os Levia, mas descobri que não aguento água salgada. Disseram que voltam em breve.”

Eu notei que o braço dela estava sujo de sangue e logo procurei minha bolsa com poções de cura, mas não encontrei.

“Minha bolsa!”
“Deve ter caído durante o naufrágio, talvez chegue na praia como as outras coisas.”
“É… Talvez… Mais importante, seu braço tá legal?”
“Ah, sim. Tá sim, olha só!”

Ela apontou pra algo no chão, eu olhei e tomei um susto vendo uma mão decepada!

“Hahahaha! Tava esperando você acordar só pra isso!”

Então ela se regenera, bom saber.
Mas perdi minha bolsa onde estavam poções, comida, água e livros. Alice ainda têm a dela, mas não vai dar pra nós duas se ficarmos aqui por muito tempo.

“Têm mais alguém vivo além de nós aqui na ilha?”
“Não, só ficamos nós duas.”
“Ok então Alice, você e eu vamos ter que sobreviver juntas!”
“É, claro. Me traz uma água de coco.”

Eu pego um coco curvando e árvore com minha magia de plantas e atiro ele na direção dela, só pra assustar, na verdade mirei na pedra do lado dela.

“Não se esqueça quem é a líder da tribo.”

Ascencion Of Demonlord 08

A figura da deusa furiosa ficava cada vez mais clara na massa de nuvens chuvosas, o olhar penetrante olhava diretamente nos olhos de Szalbar e ele não conseguia desviar os olhos dela mesmo tentando se equilibrar.

“O que você fez para irritar tanto a Mãe de Todos?!”
“Eu?!”
“Ela está olhando para você!”

A draconiana e os outros piratas faziam de tudo para tentar fugir, mas nada adianta, remar está se tornando um esforço inútil contra ondas e ventos tão fortes.

“Eu não sei! Você mesma disse que a deusa do mar é imprevisível!”

Um pirata hobgoblin apontou para Szalbar e gritou:

“Você trouxe a tempestade! Como na lenda!!”

A deusa abre sua boca e relâmpagos saem enquanto ela fala.

“Szalbar Bhalzarf, você cometeu um ato vil contra os deuses!! Você e seus aliados pagarão com a vida!!”

Szalbar se lembra do que fez em Kalkazia, matando aquelas pessoas e fazendo uma Santa sacrificar tudo pelos inocentes que ele matou. Tudo sendo uma vingança pelo que aconteceu no passado com seu povo.

“Onde estavam quando nós clamamos por ajuda?! Quando um dos seus servos nos atacou e a floresta dos elfos virou um deserto miserável?! Quando tivemos que nos tornar estas criaturas dignas de pena e viver entre coisas grotescas para sobreviver?! E quando o mesmo povo que feri, feriu o meu ainda mais gravemente?!”
“Você é jovem e tolo, mas não inocente! Eu me encarregarei de lhe punir!”

Szalbar ouviu a draconiana soltar um palavrão com uma expressão de medo, ele pode notar que a expressão era diferente de outros humanóides, ela mostrava mais os dentes, inclinou a cabeça expondo mais os chifres e as asas membranosas estavam mais abertas e avermelhadas.

A deusa gritou e o estrondo do trovão misturado à sua voz foi ensurdecedor, o navio foi atacado por uma chuva de relâmpagos e dezenas de ondas se quebrando contra a poupa tentando o virar.

“Não temos nenhum clérigo? Ou qualquer coisa que possa chamar um deus mais forte?”
“Esse é o domínio dela! Mesmo o sumo-sacerdote do deus sol não tem poder aqui!”

A xamã ondina respondeu Szalbar, ela tentava tudo para se conectar a deusa e a acalmar. Szalbar viu os olhos dela brilhando em azul marinho e as mãos erguidas com as mãos viradas para cima como se pedisse para segurar algo, ele se sente grato por não ter a matado quando ela era sua refém.

“O que os outros deuses acham disso?! Eles concordam com você?”

Ela não respondeu, os deuses sabem tudo sobre cada naestriano vivo e sabem que em situações onde facadas e venenos não resolvem, Szalbar usa sua arma mais afiada e venenosa: sua língua.

“Capitão! Estamos sendo empurrados para um obstáculo!”

A visibilidade é baixa, mas os olhos adaptados para vida no subterrâneo vêem um perigoso aglomerado de pedras que quebrará o navio se colidirem.

“Desviem para bombordo!!”

A draconiana gritou as ordens, mais por hábito do que tentando roubar a autoridade.

Os cambiantes são inúteis contra a deusa, armas mais inúteis ainda e se eu não pensar rápido vão me trair e deixar a deusa me matar… – ele planejava procurando uma saída. – …não tem jeito, é tudo ou nada.

Ele tirou seu chapéu e rasgou as faixas que cobriam o braço demoníaco. Alguns tripulantes se assustaram mais ainda ao ver a verdadeira natureza se seu capitão.

“Se os deuses querem ficar contra mim, que assim seja!”

Ele decidiu experimentar a habilidade que [ Dádiva do Abismo ] que recebeu ao regenerar seu braço. Szalbar tinha medo de utilizar este poder, soube de muitos outros que foram corrompidos por poderes semelhantes, mas em uma situação onde todas escolhas podem acabar em sua morte, ele não mais se importa.

Ele apontou o braço para a deusa, ela não o teme e apenas se enfureceu mais.

“Você ousa estender sua mão contra mim?!”
“Seja o que for, eu espero que funcione ousado!”
“Qual o seu nome?”
“O meu nome?! Por que diabos isso importa agora?!”
“Porque se isso falhar, preciso saber o que colocar na sua lápide.”

Isto é o jeito dele de dizer que passou a se importar com a draconiana, mas ela não entendeu assim e usou um palavrão draconico para mandar ele se reproduzir com ele mesmo.

Ele se concentra na palma de sua mão, como leu nos livros de magia, imaginando o mana se concentrar como uma esfera para então disparar e foi assim que aconteceu, a energia negra se aglomerou, ele ouviu um som como de percussão em sua mente como tambores de ritmo acelerado e a energia foi disparada contra as nuvens dissipando a manifestação da deusa. Ela não morreu, nem mesmo se feriu, mas Szalbar a forçou contra o véu que separa os mortais e dos imortais, a energia gasta por ela para se manifestar antes e para se manter inteira quando forçada a quebrar a atravessar de volta depois foi muito grande, a deusa precisa descansar e portanto o mar se acalmou.

Por toda Naestria, os oceanos se tornaram pacíficos, até mesmo um renascido que iria “inventar” o surf neste mundo se decepcionou ao não encontrar nenhuma grande onda e uma cidade costeira foi salva de um tsunami que viria a afundá-la em alguns dias mais a frente.

Outro palavrão draconico quebrou o silêncio em meio ao navio encharcado, dessa vez para expressando o quanto a drake estava impressionada. Szalbar residia em pé com seu braço negro totalmente diferente da pele albina e pálida de todo resto do corpo, o braço ainda emanava uma energia demoníaca.

“Drahal Tzu’ka.”
“Se isto é outro impropério, eu nunca ouvi antes.”
“É meu nome, idi… Capitão. Tzu’ka, da tribo Drahal.”

Ele já sabia que na cultura dos draconianos, o nome de clã ou tribo vem primeiro.

“Szalbar Bhalzarf. Caso você precise me enterrar primeiro.”

Ela sorriu meio estranha ouvindo a frase mórbida do fiend feerico.

“Não é filho de ninguém capitão Bhalzarf?”

Ela sabe que os elfos utilizam uma nomeação diferente da maioria das raças, por exemplo “Tariw Kirlinsón” (Tariw filho de Kirlin) ou “Erilla Takadottir” (Erilla filha de Taka).

“Minha família se tornou influente no passado, então ganhamos um nome de família próprio. Hoje, sou o último e tudo que fizemos… Virou cinzas nas mãos dos inquisidores.”

Você é mais dramático do que um bardo, pensou a Tzu’ka.
Apesar de que a ex-capitã estar lidando bem com a verdade sobre Szalbar, os outros estão assustados e cautelosos. O único motivo dele não receber olhares de ódio, como já está acostumado, é porque ele os salvou da deusa para qual sempre rezaram e ainda assim tentou os destruir. Não esqueceram que a culpa do ataque foi dele, mas em um navio cheio de ladrões e baderneiros, quem pode julgar um assassino herege?

“Eu me sinto mais forte, como se tivesse destrancado algo que havia em mim.”
“Acho que você subiu de nível. Udali, analisa o capitão.”

A xamã dos mares usou [Análise] e fez um expressão de surpresa, ela viu que Szalbar não apenas subiu de nível, mas também adquiriu uma segunda classe: Psiônico.

Ascencion Of Demonlord – Extra – 

Algumas coisas que achei que seriam interessantes para vocês e não coloquei nos capítulos pra não atrapalhar o ritmo.

Equipamento do Szalbar:

2 Adagas para combate à curta distância, 1~6 de dano em cada
30 Adagas e Facas de arremesso (sempre que possível compra novas para manter esse número)
Loriga de Couro (dorso), 5 de proteção
Calça de pano preto (pernas), 3 de proteção
Botas de Couro com sola acolchoada (pés), +1 furtividade
Cinto de Alquimista, pode carregar até 10 frascos

Ele perdeu sua Mochila de Aventureiro que ficou no navio mercante com seu dinheiro, vários venenos, ingredientes, comida e água e 4 livros: “Bestiário de Grimvur”, “Magia, A Arte e Ciência”, “Anatomia das Espécies Inteligentes” volume I e II.

O veneno que usou no capítulo anterior é semelhante ao veneno da Naja Cuspideira, proveniente de um tipo de dragonete syrano, ou seja, da Floresta de Syr; especializado em caçar basíliscos. Por isso este veneno é tão fatal aos olhos, o Dragonete Lançador de Veneno não é imune à petrificação como o Dragonete Lirigar, que também caça basíliscos.

E algumas curiosidades:

– Szalbar tem dificuldade em ganhar EXP por razões que ele desconhece, mesmo tendo mais de 500 anos é apenas nível 20;
– Szalbar prefere trabalhar com venenos de plantas do que de animais e monstros porque são mais fáceis de coletar e mais baratos de comprar;
– Apesar de não ter talento para magia, ele é bastante interessado nesta arte;
– Svartálfar amam música mais até que outros elfos, sua audição é mais aguçada porque no ambiente em que vivem é bom ter olhos atentos no que está na frente e ouvidos atentos no que está atrás;
– Provavelmente já é óbvio a esta altura, mas svartálfar é o plural, no singular é svartálf.

MW 30 Cloud Of Unknown

Cleo correu para dentro da arena passando por Doc que estava saindo, os dois trocam olhares (ou quase isso, afinal é o Doc). Ela e os outros socorristas vieram levar os três participantes derrotados assim que a luta terminou. Doc não teve nenhum ferimento graças as suas habilidades e estratégia, mas os outros três estavam gravemente feridos. A anja com asas infectadas por trevas, o kemono com queimaduras e o oni com o chifre quebrado e um traumatismo craniano.

Cleo: Pro estômago de Ammit quem disse que isso aqui é seguro!

O minotauro e dois anões levantaram o oni para por ele na maca, uma elfa sedou a anja com magia e Cleo estendeu as faixas de seus braços para prender as asas da anja na maca por segurança e o kemono foi carregado em outra maca por uma vampira e um draconiano.

Eles levaram os três com pressa e logo chegaram na enfermaria do estádio, lá Cleo já começou à aplicar seus psycho de cura escrevendo as palavras sobre os pacientes em uma energia verde clara.

Cleo: Água gelada e panos limpos rápido!

Os outros socorristas trazem o que ela mandou, logo ela derrama a água no kemono com cuidado e aplica os panos os movendo com seus psycho do mesmo modo que move suas faixas. Ela verificou que o kemono estava respirando sem grandes dificuldades, não havia obstruções no focinho ou garganta e então aplicou a máscara de oxigênio nele.

Cleo: Rafaela, assuma daqui. Vou cuidar dos outros.

A vampira confirma com a cabeça e continua os tratamentos do kemono com queimaduras, logo Cleo seguiu para a elfa e símbolos surgiram nas palmas de suas mãos, ela puxou as trevas das asas furadas e se formaram duas esferas negras flutuando.

Cleo: Como botam um sombra viva para lutar com uma anja?! Eles são veneno um pro outro!

Os outros levam a anja para poder se recuperar em outro lugar, logo suas asas irão se curar naturalmente. Cleo descartou as esferas de trevas em um compartimento para lixo hospitalar, com um formato cilíndrico e uma tampa que fica hermeticamente selada após fechada.

Logo em seguida ela enfaixou a cabeça do oni com gaze, ela colocou um remédio e um símbolo de cura no algodão para ajudar na recuperação do paciente. O chifre pode ser colocado ou substituído, mas não vai crescer de novo sozinho.

Cleo: Assim que eu terminar aqui, levem eles pro hospital!

Ela amarrou bem os membros dele porque ele acordar nervoso e confuso, além da possibilidade de ter adquirido um problema mental com a pancada tão forte na cabeça. Os mais fortes carregaram o oni novamente, os outros levaram o kemono que já estava consciente e agradeceu em um sussurro na sua língua original.

A jovem múmia não entendeu, mas suspirou aliviada vendo o olhar dele e os tratamentos de emergência que a vampira aplicou. Como enfermeira chefe, Cleo têm que lidar com todos os pacientes e liderar os outros, é um trabalho estressante, mas recompensador quando ela vê as pessoas recuperadas.

Ela caiu sentada no chão, seu trabalho terminou por enquanto.

Cleo: (Queria ligar pro Jack agora, mas nem celular eu tenho mais…)
???: Levanta-te, ainda não és hora de descansar!

Ela ficou em pé em um pulo e se virou para trás, ela viu algo como areia clara e cintilante voando ao vento e se virou para outra direção sentindo uma presença, ela viu o mundo ao redor se escurecer e então dois olhos brilhantes na escuridão.

Uma luz brilhante iluminou o local, ela se viu no centro de um grande salão cheio de almofadas e plataformas e pilares lindamente esculpidos e decorados com hieróglifos. No centro do salão, deitada sobre as almofadas mais macias estava a mulher com corpo humano e cabeça felina, seu olhar marcante parecia analisar Cleo.

Cleo: B-Ba-Bastet?!
Bastet: Sou eu mesma. Apenas Bastet está bom. Sei que têm perguntas, muitas perguntas. Vocês mortais sempre têm perguntas.

É a primeira vez que ela vê uma deusa, são raro os encontros entre deuses e mortais, ainda mais no salão pessoal da divindade.

Cleo: Eu morri? Tipo, morri pra valer?

Tecnicamente, ela já está morta.
Bastet nega com a cabeça, ela se aproximou e pegou Cleo na palma da mão.

Bastet: Se fosse o caso, estaria falando com Anubis agora. Temos planos para você, em breve irá conhecer um acolhido de Serket e aquela capaz de vestir a máscara de Sekhmet.

Ela reconhece os nomes, a deusa escorpião que cura picadas de cobras e escorpiões e a deusa leoa sedenta de sangue.

Cleo: O que preciso fazer quando encontrar esses dois?

As faixas de Cleo se moveram contra a vontade dela, fazendo um nó como um laço, encima de onde fica o coração.

Bastet: Você saberá…

Ela acordou no local onde estava e sem saber bem por que foi correndo procurar um computador onde poderia olhar quem são os participantes e então começou a pesquisar, procurando primeiro por coisas óbvias como múmias, kemonos felinos, soul rippers por causa das mascaras, pessoas com habilidades de veneno e por fim chegou à alguns suspeitos principais: a meia-elfa Dyna Mite, o draconiano “Skeder” , a múmia Aqneth Sorus, o quimerico Jey Gabox, a bruxa “Crazy Night”, o tritão Ravinus e a garo Ran Raryu.

Cleo: (Dentre todos minha maior aposta seria Aqneth porque ele utiliza as pragas em seu corpo… Essa tal Crazy Night têm uma cara de que fugiu do hospício… Esse cara é de uma espécie que não conheço, talvez quimericos sejam venenosos… E os outros não parecem nada demais.)

Enquanto ela fazia isso, as telas anunciam que o intervalo acabou e a próxima luta vai começar na arena aquática e os competidores são um rizardo com roupas tribais e rifle de airsoft, um elemental de gelo parecido com um elfo coberto de neve e cristais de gelo, uma sirena com cabelo raspado na lateral e uma humana de cabelos desgrenhados e coloridos com um sorriso maníaco e olhos vidrados, a bruxa Crazy Night.

Cleo: Eu preciso ver essa luta!

Ela foi andando para outro lugar com pressa e acabou topando com Conde nos corredores, os dois pediram desculpas e continuaram o caminho, mas sem saber que seus destinos se cruzariam novamente…

MW 29 Dub Ø9

Doc entrou no estádio ao som de uma batida eletrônica, os outros lutadores já estavam o esperando lá com o juiz entre eles. O oni segurava um enorme machado apoiado nos ombros, a anja tinha uma maça e escudo em mãos, mas também uma espada embanhada presa ao cinto e o felino humanóide estava do lado de uma armadura robótica roxa de três metros de altura, um pouco mais alto que o oni. O terreno dessa vez seria uma floresta fechada, deixando os lutadores maiores em desvantagem, e os monitores flutuando acima no centro da arena mostravam os competidores.

Juiz: Primeiramente, um aviso. Devido aos perigos de ontem, nós reforçamos a segurança e as lutas terão uma supervisão mais rigorosa.

Todos lutadores confirmam que entenderam e se preparam. O oni se alonga e pega sua arma estupidamente grande, o kemono entra em sua armadura robótica e a anja se concentra numa oração antes da luta. Doc olha para um lado, olha para o outro, olha para o objeto que Jey lhe deu e então olha para frente com a mesma expressão confusa de sempre.

Star: É… Vocês acham que ele consegue?
Ran: Eu não sei, ele é um cara legal, mas não sei muito sobre como ele luta.
Jey: Ele é roubado… Tipo, bem overpower.

Os três adversários ignoram Doc e lutam entre si, o orc enfia seu machado gigante no mecha do felino, então leva um golpe de escudo no rosto vindo da guerreira anja.

Conde: Eles nem olharam pro Doc!
Jey: Eu falei que é roubado. O povo das sombras está em todo lugar o tempo todo e nós nunca percebemos a não ser que eles queiram.
Ran: Outros como o Doc são invisíveis?
Jey: Não invisíveis, só não prestamos atenção neles. Não sei se pensaram nisso, mas Doc parece tão familiar pra nós que nem nos importamos muito com os olhos dele depois do dia que nos conhecemos.

Ran percebe agora que ficou amiga de Doc tão rápido que nem questionou mais depois do susto de quando ele invadiu o carro de Carone. Apesar do choque na hora, todos se esqueceram no dia seguinte, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Doc aproveitou a vantagem do terreno, com a copa das árvores fazendo sombra ele pode viajar livremente por todo campo submergindo nas sombras como se fosse água.

O robô do kemono disparou o oni para longe com uma rajada de energia, então agora a luta é entre o anjo e o mecha. A anja estava com a espada preparada e um olhar determinado, o kemono no mecha estava ofegante, ele esperava que fosse fácil usando sua máquina, mas tomou uma surra do orc no início.

Anja: Saia da sua máquina e me enfrente com honra!
Kemono: Você vai largar sua espada e armadura também? Senão, não é justo.

Nesse momento de distração dos dois, Doc salta de dentro da sombra e agarra as costas do mecha, a anja viu e tomou um susto com o ataque surpresa, dando oportunidade pro kemono atacar.

Ele aperta o botão e não funcionou, então apertou várias vezes ficando furioso sem saber que Doc está nas suas costas arrancando fios, parafusos e placas do robô.
O oni volta pulando e caindo com um golpe do machado, Doc percebeu a tempo e jogou o kemono pra frente se impulsionando para trás ao aplicar o modo Repulsão na sua esfera negra.

Anja: Ele é um grypher de repulsão e trevas!

Ele acabou de ganhar uma vantagem estratégica, enganando seus adversários.
O oni cortou o braço do mecha e se virou para atirar em Doc com um psycho, explodindo energia da mão na direção do sombra viva.

Oni: Blast!

Mas Doc caiu pra trás e entrou nas sombras como um mergulhador caindo no mar.

Anja: Covarde!

O kemono percebeu que sua máquina está quase destruída então ativou o modo de auto-destruição e apertou o botão de ejetar.

Kemono: …?! Ejetar! Ejetar! Ejetar!!

A anja paladina se protegeu da explosão e permaneceu sobre vigília procurando Doc antes que ele ataque novamente. O kemono voou para longe com a explosão e no telão apareceu como “auto-eliminado”, está ferido porém vivo.

O oni sentiu a presença de Doc e girou em um golpe de machado que por pouco não levou a cabeça de Doc.

Doc: E aquele papo de não desferir golpes letais?! Um cara se explodiu e outro quase cortou minha cabeça fora!
Juiz: Ambos foram acidentes.
Oni: Têm razão, eu queria cortar na barriga.

Doc cai o queixo e acredita que a luta tá comprada, mas mesmo assim ele não desiste. Isto só motivou ele a lutar com mais ímpeto e acabar com os planos de alguém que apostou contra ele.

O oni atacou mais uma vez e a anja veio de cima em um ataque aéreo, os dois estão mirando Doc agora. Doc estalou os dedos e seis esferas negras surgiram ao seu redor, das quais ele mandou duas atravessarem as asas da anja e quatro seguraram os braços do oni. Ran notou como a posição das mãos dele estavam diferentes, a esquerda apontou pra anja e a direita estava aberta como se segurasse algo.

A anja caiu no chão com suas asas perfuradas, ela chorou de dor e sentiu a energia das trevas de Doc infectar suas asas puras. O oni forçou seu corpo e mente para se soltar e pulou para cima da anja pretendendo a subjugar e ganhar a luta, mas Doc a “salvou” puxando ela com um fio de sombras extendido de sua mão.

Sendo que seu poder é controlar as trevas e ele é uma sombra viva, pode manipular seu próprio corpo.

Oni: Não interrompa meu combate!

O oni explodiu energia atrás dele mesmo impulsionando seu corpo enorme como um foguete armado com um machado enorme mirando a sombra viva e nesse momento foi como se o tempo passasse mais de vagar e Doc pôde ouvir a voz em sua cabeça.

Voz: Doc… Use a varinha…

Ele levantou a mão apontando o pequeno bastão para o oni e sua vontade era de atirar algum tipo de poder mágico, porém ele não contava com fato de estar apontando o cristal para o lado errado.

Oni: Raaaaar…!! Ugh!

A varinha atirou uma rajada negra e roxa para atrás de Doc e voou da mão dele acertando a testa do oni com tanta força que quebrou o chifre fez ele girar para trás no ar e cair de barriga no chão.

Doc: Eh…?

O local inteiro estava em silêncio, a pessoa com menos experiência, força e equipamentos de algum modo derrotou o brutamontes em quem todos apostavam a vitória.

Ran: Quais as chances disso acontecer?
Jey: Considerando que aquele treco era uma invenção minha… Bem altas.
Star: Era pra fazer isso mesmo?
Jey: Não. Mas o importante é que funciona!

A risada estranhamente maligna e alta dele quebrou o silêncio e o próprio Doc desacreditado imobilizou a anja que estava sentada sem reação ao dele, então o juiz contou e declarou a vitória oficialmente.

Os telões anunciam o vencedor tocando a música escolhida por ele e imagens ao vivo e gravadas da luta. Nunca um sombra viva recebeu tanta atenção, ele se sente até estranho, porém feliz e orgulhoso erguendo os braços em comemoração.

O que ninguém notou, é que a arma de Doc caiu nas mãos de outra pessoa…
Mãos reptilianas, cobertas de escamas brilhantes com garras pintadas de vermelho…

Um recomeço

Bom. Sou eu de novo tentando voltar a ser como era antes, no início do site quando postava quase todo dia. Sem promessas que não vou cumprir, apenas ações dessa vez.

Não vai ser fácil pra alguém preguiçoso e ocupado (felizmente e infelizmente não sou mais um NEET sem amigos offline e namorada), mas eu quero postar mais.

Então agora é uma ótima chance pra recomeçar, eu já superei os problemas que me deixaram pra baixo e me afastaram das novels e estou inspirado pra escrever. Meu plano é transformar Outra Light Novel Com Nome Grande e Monster World em Mangá/webcomic nesse ano ou no próximo (vai depender do tempo, disposição, pessoas ajudando, etc).

E pra não ficar um clima tão pesado, aqui está uma ilustração de um dos próximos capítulos que tenho escrito:

“Não se preocupe, esse tipo de dragonete só come plantas e peixes”

Feliz ano novo a todos!

O Demônio do Natal

Nem todos conhecem o demônio do Natal, aquele que é a força oposta e equivalente ao bom velinho.

Um demônio que caça as crianças na noite do Solstício de Inverno do hemisfério norte, que hoje é o dia de Natal. Chegando na cidade onde aqueles que nele acreditam vivem, o Krampus corre pelas ruas desertas escondido por nevasca que usa para fazer as pessoas se perderam, assim que encontra sua presa ele destroça com as garras e devora com suas presas.

Os humanos contam a seus filhos que o Krampus come as crianças mal-criadas e desobedientes, mas na verdade ele tá pouco se importando, o verdadeiro motivo dessas crianças serem pegas é porque desobedeceram seus pais ao dizerem para não sair na noite de Natal. Ele é um predador cruel, armado com garras, dentes e chifres, que assim como leões e tigres pega as presas mais fáceis como crianças, idosos e doentes, mesmo que um adulto não teria chance normalmente contra a criatura. Você provavelmente nem notaria que um mendigo desapareceu durante uma nevasca, a maioria tão pouco ia se importar pois na mesma noite uma de suas crianças também desapareceu.

O motivo de Krampus não invadir as casas é porque ele não pode, normalmente nenhuma entidade pode entrar em uma casa sem ser convidada ou evocada, além disso no passado era comum as pessoas penduraram amuletos para afastar o Krampus, muito parecidos com nossos enfeites de Natal.

Assim como os grandes antigos, Krampus dorme por um longo período até que as estrelas estejam alinhadas corretamente e isto acontece durante o solstício, quando ele se liberta de sua prisão de sonhos e saí para se alimentar, sedento de sangue e faminto de carne, pronto para rasgar sua pele, devorar seus músculos, beber seu sangue e chupar seus ossos. Krampus não deixa nada para trás além de terror e desespero daqueles que sobreviveram a sua passagem.

Mas você pode ter pensado algo como “Ah se esse tal Krampus existe o Papai Noel também é real?”
Bem, isto depende de você acreditar, pois neste mundo em que vivemos há muito mais além do que nossa limitada compreensão racional é capaz de entender. Quem sabe o que aconteceu enquanto você dormia ou festejava, talvez em algum lugar do mundo o bom velinho esteja lutando contra o demônio antropofágico…