OLNVCNG Capitulo 46 – Mais Heranças Esquisitas

O que eu faço?!
Alice sumiu! A velha sumiu!
Somos criminosas, não posso gritar por socorro!

Sem perder mais tempo pensando, eu pulo na água e lá dentro sinto a mana correndo junto com a água. Foco Maggie, uso [Concentração] para sentir o fluxo da mana e da água tentando encontrar Alice e a velha, vejo em minha mente a mana como uma teia de fios azuis que percorrem por toda região e alguns desses fios se deformam em alguns pontos.

Estamos sendo seguidas pela água, além disso essa mancha multicolorida deformando as linhas deve ser a velha ou Alice, então sigo na direção dela, mas preciso subir pra respirar.

“Ah, droga! Perdi a concentração!”

Análise! Mostre meu status!
Droga, não tenho nenhuma habilidade que possa me ajudar nisso?
Bem, eu nunca tentei isso…
Primeiramente eu usei [Espreitar], então estendi minha mão e as palavras vieram a minha mente quando ativei [Evocação].

“Meu servo, eu aqui o chamo para que atenda meu desejo! Vokarusae!”

A criatura mágica foi evocada na água, eu a imaginei como um golfinho vegetal superveloz que possa me ajudar, mas o que apareceu foi um bonequinho de madeira com cabelo de algas.

“À suas ordens chefe!”
“Me leve até a velha!”

Ele me pegou se mostrando mais forte do que parece, correu em uma velocidade absurda e me deixou em frente a uma velha senhora levia que estava ali perto.

“Pronto chefe!”
“Aaaaaah! Monstro!”

A velha fugiu com medo da minha aparência causada pela transformação parcial. Desfaço a transformação e me volto para meu servo mágico.
Vou ser mais específica…

“Me leve até Alice e Tzu’ka!”

Ele me pegou, me jogou na água e eu dei de cara com a velha Tzu’ka! Literalmente, nossas cabeças colidiram!

“Aiii!”
“Droga, você é tão cabeça dura quanto seu pai!”
“Já estamos seguras?”
“Parece que sim.”
“Eu só consegui esconder a Tzu’ka, pensei que você pularia atrás dela logo em seguida mas ficou um mês parada lá!”
“É, eu… Desculpa.”
“E o baú?”
“O baú? O baú!!”

Voltamos correndo e demos de cara com um grupo de ladrões mexendo no tesouro, Tzu’ka deu cabo deles com três tiros de jatos de fogo direto no peito!
Ela não usou palavras, só conjurou a magia atirando com o dedo como um revólver!

“Eu ainda levo jeito.”
“Eles estão…”
“Você puxou mesmo sua mãe. Eu não matei, feliz?”

Ela me mostrou, eles estavam usando armadura no peito por baixo de roupa. Acho que está tudo bem então, exceto pelo metal quase derretido.

“Se fosse para valer, eu usaria lava.”
“O que tem de tão importante nesse tesouro afinal?”
“Te conto na nossa casa.”

Seguimos escondidas até a casa dela carregando o baú, a casa dela fica ruim um lugar bem isolado do resto da cidade na parte mais escura e mais seca. Quando entramos nos deparamos com uma visão totalmente diferente do exterior, era a casa digna de um rei com várias decorações e um enorme sofá vermelho no centro da sala!

“Szalbar era um gênio do disfarce, ele teve essa ideia de esconder nossas casas como barracos e usar palácios só de faixada para impressionar o poço.”
“Eu… Não sei o que dizer. Meu pai é o rei demônio. A pior parte é que nem to tão surpresa quanto deveria…”
“E eu? Eu não sou nada especial?”

Tzu’ka se aproximou e colocou as mãos nos ombros de Alice.

“Não. Agora senta lá Cláudia.”
“É Alice…”
“Tanto faz.”

Poderia ser prazeroso ver nossos papéis invertidos em relação a nossa vida passada, mas me sinto mau por ela.

“Você é especial pra mim Alice, é minha melhor amiga.”

Ela ficou feliz. Me sinto feliz também.

“Eita, olha ali na janela Maggie!’

É um navio afundando com um monte de vegetais e peixes! Deve ter sido aquele leviathan, ele abocanhou os peixes junto com os tripulantes e a madeira!
Espero que, pelo menos, alguém tenha sobrevivido…
Tzu’ka parece impaciente então já está mexendo no baú.

“Aqui está!”

Ela retirou uma adaga curva e longa com uma lâmina roxa, o cabo era feito de osso com uma serpente esculpida.

“O que é isso?”
“Você é cega ou é burra? Não tá vendo que é uma adaga?!”

Desculpa perguntar, senhora ignorância!

“Mais precisamente, é uma adaga do seu pai. A favorita dele. Além disso, é uma arma mágica, tente usar ela para cortar o ar.”

Eu seguro a adaga e sinto o poder mágico nela, faço alguns movimentos com a adaga e vejo o brilho roxo dela deixar um rastro no ar.

“E ainda faltam dois.”

Nossa! Valeu pai!
Embora você provavelmente foi algum tipo de supervilão que tentou conquistar o mundo…

“Aqui. Achei. É essa porcaria aqui.”

Ela jogou pra mim um cálice dourado em forma de crânio com joias nos olhos.

“Nossa, parece um crânio de verdade.”
“É de verdade.”

Eu larguei no chão, mas a velha pulou pra pegar.

“Você é maluca!!?”
“Não quero beber numa cabeça!”
“Você não se importa com uma adaga com cabo de osso, mas um copo-cabeça é demais?”
“É… Sim! Alice, fica com isso!”
“Ok.”
“Heim?”
“É dourado com safiras, é claro que eu quero.”

Ela nem se importa que é um crânio humano, eu acho, se for banhando em ouro?

“Safiras? Achei que safiras fosse mais azuis e as vermelhas fossem rubis.”
“Mas são azuis.”
“Não, vermelhas.”
“Você é daltônica velha?”
“Nem sei que merda é essa, mas não importa. São rubis.”
“Safiras.”

Do que elas estão falando? Claramente são esmeraldas, verdes como eu.
Enquanto Alice e Tzu’ka discutem, eu avalio os itens que ganhei.
[Adaga Encantada Daridiel. 1~6 de Dano Físico + 1~6 de Dano Mágico. Pode causar Sangramento e Envenenamento]
Se ele era mesmo um assassino cruel como dizem, não me admira que seja a favorita…
Cara, eu sou filha de um rei demônio assassino! Nem imagino como seria se eu tivesse nascido naquela época…
Ok, agora a taça.
[Cálice Alquímico de crânio humano banhando a ouro e cristais de manas reflexivas.]

“Ele bebia nisso?”
“As vezes. Normalmente usava para fazer venenos.”
“E o terceiro presente?”
“Me empresta seu cajado.”

Eu desconfio dela, mas entreguei o cajado com certa relutância. Ela usou a garra da mão esquerda para fazer um buraco na madeira esquentando a ponta do dedo com magia. Então ela pegou um anel como um brinco e colocou no meu cajado, logo em seguida cravou um símbolo na madeira e me devolveu.

“Isto era da sua mãe. Aquela pirralha… No final acabou mesmo cumprindo o que prometeu.”

Eu encaro o símbolo mágico no meu cajado e vejo Alice distraída com o copo caveira dourada.

“Quero que me conte tudo! Tudo sobre meus pais, se tenho irmãos, minhas outras madrastas… Tudo! E nem adianta dizer que não pode.”

*****

Revisado por Th.L

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MW 35 White Light

Ran entrou na sala onde iria se preparar, lá ela escolheu uma jaqueta de couro, uma bandana de caveiras para prender o cabelo, luvas de ciclista para segurar melhor sua arma e um cinto feito para carregar espadas. Seu corpo mostrava seu nervosismo e ansiedade, o rabo lupino estava recolhido e as orelhas viradas para trás, mas Ran balançou a cabeça e tentou pensar mais positivamente e parecer mais confiante na hora que entrou na arena ouvindo a música que escolheu para ser seu tema.

Ela podia sentir o fogo queimando em seu coração, seus olhos brancos como duas luas cheias transmitiam sua coragem e determinação e discordância entre sua arma e suas roupas fez a sereia que anuncia os competidores chamar ela de “samurai de asfalto”.

A arena dessa vez era um cenário semiárido aberto com plantas espinhosas e poucas árvores, o calor parecia afetar bastante os outros adversários, mas Ran continuou com sua jaqueta sem problemas. Na verdade, este cenário a lembrou de casa, nas terras do seu clã.

Ran fitou os outros lutadores, uma mulher esquelética gigante de cabelos azuis com grandes mãos remendadas em seus braços por linhas vermelhas, um homem lagarto com roupas brancas e um cutelo na mão e o que parecia ser apenas uma criança andrógena de cabelo raspado até revelar tentáculos saindo de sua boca enquanto os olhos se reviram.

Ela sente medo, mas assume uma posição de batalha e assim fazem os outros em resposta quase imediata.

Ran: (Estou pronta!)

Ela tenta sacar a espada e não consegue, está presa na bainha como antes!

Ran: (Que droga! Eu devia ter pego uma faca de cozinha invés dessa porcaria!)

Ran olha a plateia procurando seus amigos na esperança de que Jey tivesse a resposta, mas quando os encontra vê que ele e Conde não voltaram ainda.

Ran: (Ele não veio me ver?)

A criança estranha lança seus tentáculos na direção de Ran enquanto a mulher esquelética de três metros de altura joga o homem lagarto para o alto com um golpe rápido.

Ran: Light Shield!

Ran se defende com um escudo de luz, e o homem lagarto gira no ar usando sua calda para se equilibrar e atira o cutelo na criança estranha, acertando na cabeça!

O lagarto humanoide cai de pé, impressionado com o estado inalterado da criatura que ataca Ran.
Ran tenta mais uma vez desembainhar sua katana, mas não consegue mesmo puxando com sua força super-humana.

Ran: Dane-se!

Ela pula pra trás e arranca a arma da cintura quebrando a alça do cinto e a gira para lutar com a espada dentro da bainha. Os inimigos se sentem desafiados e subestimados, então todos três focam nela.

Morta-viva: Não pense que é a fohidan que vai ganhar da gente sem se armar!

A gigante esquelética atira sua mão estendendo o braço com linhas de sangue e Ran golpea, horizontalmente aplicando seu Modo para fazer a mão virar abruptamente na direção da criatura de tentáculos que veio atacar da mesma forma que antes. Os tentáculos se defendem segurando a mão e a mulher puxa a criatura parasita para próximo retornando a mão pro lugar e causa explosões espirituais da palma da mão, mas não parece ter grande efeito na criatura.

Morta-viva: O que diabos é você?! Não tem alma?!

O rizardo pulou por cima das outras duas visando pegar Ran de surpresa, mas ela ouviu com suas orelhas caninas e desviou. O público fica impressionado com a velocidade e força da jovem, porém ela não contava com a astúcia do homem lagarto: usando seu corpo verdadeiro como distração, ele controlou uma cópia de si mesmo para atacar Ran por trás, a derrubando no chão com uma ombrada e então o verdadeiro caiu sentado em cima.

Rizardo: Essa é apenas uma das técnicas do rei macaco!
Ran: Mas você é um lagarto!
Rizardo: Isso não vem ao caso!!
Juiz: Um!

Ran se esforça para levantar antes do juiz terminar a contagem, rizardo evoca mais clones para impedir os outros dois de agir e retirar ele de cima de Ran. Ela grune, rosna e pragueja enquanto tenta se levantar.

Ran: Ugh! Raaaa!!
Rizardo: Não adianta!
Juiz: Dois!

E então ela se esforça mais urrando com a dor dos músculos e consegue se levantar com o Rizardo superpesado nas costas, o derrubando para fora enquanto quase quebra sua própria coluna e o corpo dele quebra o solo quando cai no chão! O juiz sinaliza que não acabou a luta e se afasta.

Rizardo: Que força! Mesmo que eu usei meu Psycho “Ten Tons Times Ten”, você ainda assim con…
Ran: Cala-boca!!

Ela deu um murro rizardo liberando uma enorme onda de choque que o fez voar e bater na parede, afundando no concreto, quebrando vários ossos e ficando com os olhos em branco. Ran percebeu que exagerou e foi correndo ver se ele está bem, mas a múmia paramédica que entrou na arena para socorrer ele não deixou Ran se aproximar, a encarando com um olhar severo. Os paramédicos levaram o competidor eliminado, então o juiz sinalizou para continuarem a luta.

Ran volta sua atenção para os dois que sobraram, a morta-viva hesita enquanto a criatura escondida sob a forma de uma criança se aproxima.
Um tentáculo se transforma e forma uma boca com um sorriso perverso.

Tentáculo: Eu quero você. Você é um veículo bem melhor que este saco de vermes.

Os tentáculos saem totalmente, revelando-se uma criatura parasita que habitava o corpo da criança.

Morta-viva: Como deixaram uma coisa como essa entrar no torneio?! Ei! Juiz!!
Tentáculo Parasita: É apenas um veículo. Não está vivo e eu comprei isso legalmente.
Morta-viva: Vocês estão loucos?! Isso é um absurdo!

O juiz continuou em silêncio de braços cruzados até o momento em que ela encostou nele, quando ele segurou o braço que encostou e ela tomou um choque e caiu no chão.

Goblin juiz: Não toque nos juízes.

Ela conseguiu se levantar após isso, o telão mostra que não foi eliminada, mas apareceu um círculo amarelo embaixo da foto. A criatura de tentáculos se aproxima lentamente flutuando na direção de Ran e mais uma vez ela busca ajuda olhando onde estão seus amigos, mas dessa vez Jey e Conde estão lá, feridos e sujos.

Ran: (O que aconteceu com vocês?)

Aproveitando o momento de distração dela, a criatura tentou a envolver com seus tentáculos prendendo seus braços. Alguns jovens com gostos estranhos começaram a torcer para a criatura, porém um desses esquisitos fez o oposto.

Jey: Vai Ran!! Não deixa ele te pegar!! Você não quer saber como isso vai acabar!!

Os ouvidos lupinos se voltaram para a voz familiar em meio a tantas outras, ela viu seus amigos torcendo por ela, principalmente o estranho pálido sujo de sangue.

Ran: Contém comigo!!

Com a motivação dada por seus amigos, ela liberou todo seu protagonismo… Digo, liberou todo seu poder de luz repelindo o inimigo!
A morta-viva cobriu os olhos e se sentiu enfraquecida, quando tirou a enorme mão da frente do rosto ficou estagnada vendo o corpo brilhante de Ran e a espada desembainhada emanando uma forte aura.

Jey: Que dia é hoje?
Carone: Segunda-feira.
Jey: Meus deuses…

Star fica confusa e olha pra ele tentando entender porque ele perguntou o dia.

Jey: Todo mundo escondendo os poderes e ela tá virando Super Sayajin!

Ran olha sua própria mão, se acostumando com a mudança do seu corpo, a aberração se aproximou e no mesmo segundo ela já estava a 5 metros de distância, então girou a espada lançando projeção da lâmina no chão próximo da criatura de tentáculos o afastando.

Ran: Se cruzar essa linha, você morre! (Eu consegui! Eu dominei a espada, meu elemento e minha aceleração!)

Ambos percebem que não podem contra ela então os inimigos vão um contra o outro, a zumbi atacou de baixo para cima com sua mão e a criatura se deformou ao redor da mão e mordeu o pulso dela. A zumbi atirou sua mão com o inimigo no chão, então puxou de volta e se afastou com um pulo para trás.

Ran: (Tive uma ideia! Vou atacar os dois, várias vezes usando minha aceleração e desviando minha direção em zigue-zague com meu modo!)

Não só seu corpo foi acelerado, sua mente também está agindo em supervelocidade!

Ran se posiciona segurando a espada com as duas mãos, então tudo que veem são pequenos flash e rastros de luz antes dos cortes aparecerem nos dois adversários quando Ran para um pouco depois de onde eles estão. O telão mostra o replay em câmera lenta, ela correu até a criatura com tentáculos, cortou com dois ataques então foi abruptamente jogada na direção da outra por uma força invisível cortando no abdômen, pisou no chão pegando impulso e voltou para o outro cortando a morta-viva novamente antes de cortar um tentáculo e repetiu a sequência quatro vezes antes de parar.

Ran limpou o sangue da espada jogando o sangue com um movimento rápido, balançando a espada para espirrar o sangue deixando no chão.

Ran: Vou dizer só mais vez! Nem pense em cruzar essa linha!

[ÆSIR] Já era hora de eu postar alguma coisa

Yooooooooo!

Nas últimas semanas estive trabalhando no RPG, principalmente nas classes e na Ficha de Personagem.

Primeiramente, você já pode baixar a ficha, totalmente editável (se você tiver um Excel ou algo do tipo…)

E quanto as classes, eu acho finalmente chegamos a uma conclusão sobre quais serão as 60 classes definitivas.

Isso inválida outros posts mais antigos?
Sim e não.

Sim porque muitas que publiquei antes não deram um resultado prático ou não gostei, então foram retiradas do material oficial.
Não porque estão lá, você pode pegar e usar, construir algo em cima disso.

O grande lance que havia planejado desde do início é que este fosse um sistema gratuito, fácil de usar e adaptável. Se tornou um tanto limitado ao cenário de fantasia, mas futuramente damos um jeito nisso.

Agora é hora da colocar meu tapa-olho porque estou pensando em reunir uma equipe.

Juntar uma galera que possa contribuir e tornar esse projeto real, até porque eu já não tenho mais tempo livre suficiente pra fazer tudo sozinho, e possivelmente colocar o projeto em uma plataforma de financiamento coletivo como o Catarse ou Padrim para que possamos fazer algo melhor.

E eu sei que eu enrolo e prometo mais do que faço, tanto que perdi o direito de criticar os políticos, mas estou mais responsável agora.

OLNCNG Capitulo 45 – Cometendo Um Crime Com Uma Velha Doida

Seguimos a senhora draconiana até um barco de madeira e então ela nos guiou pela hidrovia, mas até agora não disse uma palavra. Mesmo sem usar análise, posso ver a diferença de poder entre nós. Se fosse humana diria que tem quarenta anos ou mais, as escamas são rosadas, o corpo é forte apesar da idade e asas cheias de furos e rasgos.

“Chegamos.”

Um cemitério?

“Você demorou demais…”
“Eh?! Alguém morreu me esperando?!”

“Não sonsa! Quis dizer que não chegou na hora e data que ele me disse. Olha! A lua não está cheia, as estrelas estão em outra posição, os planetas desalinharam… Tudo errado!”

Não sabia que eles têm tanta noção de astronomia, isso pode ser influência dos renascidos.

Ela entrou no cemitério e a seguimos, lá havia uma estátua como aquela que vi no “inferno”, feita de uma pedra negra e mármore branco. A draconiana olha para a estátua então olha para mim por um tempo, mas não senti o desconforto de ser analisada.

“Você é a cara dele.”
“Heim?”
“Senhora, você é cega?”
“Alice!”
“Só de um olho! Hahaha!”

Eu não pareço em nada com esse cara, ele tem um rosto élfico fino e longo com um olhar de “vou te matar”.
A draconiana soube da cova com o baú e abre, está cheio de tesouros, como aqueles de histórias de piratas!

“Nossa! Nunca vi tanto ouro!”
“Eu já.”
“Você não é normal Alice.”
“Quis dizer que não sou pobre?”

Uma luz forte bate nos meus olhos.

“Ei o que estão fazendo ai?!”

Um guarda com magia de luz!
E somos cúmplices de um crime agora!
A melhor escolha é contar a verdade e entregar essa…

“NUNCA ME PEGARÃO VIVA!!!”

Alice explode mana das mãos e toca seu alaúde vigorosamente fazendo um gutural assustador que deixou o guarda no chão, então corre deixando eu e a velha para trás!
Corro atrás dela e a velha veio carregando o baú.

“Você vai quebrar sua coluna assim!”
“Não sou um graveto como você!”

E então ela cai em cima do baú reclamando de dor nas costas e eu volto para ajudar.

“Deixa isso para trás!”
“Não! É importante!”
“É só dinheiro! E isso nem é seu!”
“É pra você sua idiota!”

Como assim?! Tenho muitas perguntas, mas não é a hora.

Ajudo ela a levantar e então uso [Transformação LV1] e [Poder Oculto] sem preparo então só mudou em metade do meu dorso e cabeça me deixando dois braços musculosos de um lado e o resto normal

“Que bizarro!”
“Falou a velha doida com super força!”

Carrego ela com dois braços e o baú com o terceiro, mas minhas pernas de dríade não foram feitas pra isso!

Um pequeno dragonete com uma vela nas costas parou na minha frente fazendo barulhos de ameaça, parece um cachorro-dragão. Logo em seguida veio o guarda com uma espada seguindo o animal.

“Cuidado, ele é venenoso!”
“Isso não é problema, eu…”
“Dane-se você, estou preocupada comigo!”

Eu me preparo e pulo por cima do “cão-dragão” e do guarda graças a [Força Amplificada] e [Agilidade Amplificada] então uso [Conjuração Gestual] com os dedos dos pés para criar pequenas rochas por onde vou pisando até chegar ao chão. As deixo cair logo após pisar para atrapalhar o guarda na perseguição, a velha parece impressionada.

“Criativa… Prática… Fez um plano desnecessariamente complicado quando poderia ter só matado os dois…”

“Eu não mato sem necessidade.”

Ela ri muito alto e então tosse soltando um pouco de fogo.

“Você é exatamente como aqueles dois! Uma mistura perfeita!”
“Quem são meus pais afinal?!”
“O Rei Demônio Szalbar Bhalzarf e
A Dama de Ferro Dália Björnsdóttir Bhalzarf.”
“Eeeeeeeeh?!!”
“Não pare de correr idiota!”

Eu levei um tapa na cabeça e continuei a correr.

“Não me bata assim! Você não é minha mãe!”
“Eu sou uma das suas madrastas!”
“Para! Isso é estranho!”
“Por que? É da cultura dos reis anões.”
“Eu não sou uma anã!”
“Mas sua outra madrasta era.”

Eu corri até não aguentar mais e parei escondida em um beco convenientemente escuro que tinha ali perto, coloquei a velha e baú no chão e desativei minha transformação imperfeita. Ela parece estar melhor, mas eu estou exausta!

Logo vi os guardas rondando, passaram correndo e nadando bem armados.

“Despistamos eles.”.

Eu estou escutando uma música ao longe, com o som abafado.

“Isso é som de violão?”
“Som de que?”
“Como um alaúde, um instrumento de corda.”
“Não ouvi nada. Herdou isso do seu pai também?”
“O que?”
“Espera! Olha ali, na água!”

Ela sentiu uma presença estranha e eu também, a água não é cristalina, tem uma cor azul turva devido ao grande uso de mana, as ondas se movem como se tivesse um barco invisível se movendo e acho que vi uma sombra se movendo, mas então sumiu.

“Acho que estamos seguras.”
“Certo.”

Deve ser só uma madeira na água, igual o monstro do lago Ness.
Tudo tranquilo, agora podemos falar com calma.

“Então, agora vou te contar toda a verdade. Sobre seus pais, sua origem e…. Yaaaaa!!”

Uma figura salta da água e leva a vovó dragão para o fundo!!

<–Continua– – –

Editores: @fre e Thainah500

MW 34 Glitter Freeze

A cafeteria com mesas a céu aberto está coberta por uma uma densa neblina, lá dentro se encontram um quimerico e três vampiros prontos para batalha.

Conde atira seu Psycho, a lâmina de vento giratório voa distorcendo a névoa e passa entre Lady, que havia se projetado para frente tentando atacar Jey com as garras e Duque que estava em pé mais atrás. Os longos cabelos negros foram cortados na metade e voaram girando, então os três olharam perplexo para Conde, que já estava preparando outro ataque.

Lady: Você errou…?
Conde: Eu nunca erro. Isto foi um tiro de aviso.

Duque cria um bastão de gelo, gira ele e então forma a lâmina cristalizada na ponta.

Duque: Traidor!

Jey apontou o dedo pronto para dizer algo, mas foi atacado por Lady e então desviou por pouco, fazendo ela quase arrancar o colar que ele está usando. Raddar, o mugen de Jey, instintivamente entrou na forma energética para fugir do perigo.

Jey: 2 contra 2 então? Beleza.

Ele pulou para cima da mesa da cafeteria, Raddar continua na forma energética flutuando ao redor dele, então Jey fez seu cajado aparecer em sua mão mantendo a vampira afastada com a ponta de lança que tem na parte inferior de seu cajado.

Jey: Pense nisso como uma estaca muito grande.

Lady ri em deboche e se moveu para o lado, Jey só pôde ver o vulto antes dela aparecer atrás dele já lambendo o sangue dos dedos.

Lady: Não importa o tamanho da estaca se você não consegue me acertar.

A bochecha de Jey tinha marcas de arranhado já se curando, mas logo surgiu uma marca vermelha no rosto dele.

Lady: (Homem ou mulher, adulto ou criança… Ninguém pode escapar uma vez que é marcado pela minha maldição.)

Enquanto isso, outra batalha acontece em uma velocidade sobre-humana, Jey apenas pode ouvir os barulhos e ver os vultos dos dois vampiros. O embate à seguir aconteceram em apenas alguns segundos.

Conde: Irmão, eu não sou um traidor!

Duque não fala, ele age. Saltando sobre Conde com sua arma pronta para atacar, mirando o peito do seu irmão e Conde se defende fazendo uma rajada de ar atirar o vampiro gelado para trás. Logo em seguida, Conde correu para trás de Duque e tentou o chutar antes de chegar ao chão, mas ele se virou e agarrou a perna de Conde fazendo ambos pararem.

Duque: Não, não… Você sabe que não pode me tocar.

Sua mão que já era gelada esfriou até uma temperatura abaixo de zero, tão gélida que congelou a umidade do ar fazendo minúsculos cristais e os músculos e sangue da perna de Conde se tornaram um enorme bloco de gelo.
Ele conhece seu irmão e sabe que tirando suas pernas, tira sua maior vantagem.

Uma bola de fogo atinge Duque enquanto ele estava distraído com Conde, não fez muito efeito graças a a Zona fria e úmida, mas foi suficiente para causar algum dano e largar Conde. Jey aproveitou-se de quando pararam para atacar Duque, mas logo Lady o lembrou quem era sua adversária ali o puxando para perto com o movimento de um dedo.

Jey: (Que merda é essa? Psycho de movimento? Que tipo? Controlou meu sangue com Hidrocnese? Ou é Zoocnese?)

Lady sorriu perversa, ela o deixou parado na sua frente e cortou com as unhas . Mais sangue escorreu e outra marca surgiu no abdômen de Jey. Ele não sentiu nem viu a marca, então não sabe o que é e Raddar não pode falar enquanto está na forma de energia, mas ficou rodeando perto dele tentando mostrar para seu mestre.

Lady: Não adianta pequenino! Logo seu mestre será mais um dos meus servos.

Conde ouviu isso, mas já era tarde demais para avisar Jey. Nem mesmo poderia o levar para longe com a perna congelada, mas fez o que pode atirando uma lâmina de ar na sua irmã.

Jey: Huhuhuhuhu…
Lady: Hã?
Jey: …huhuhahahahahahaHAHAHA!!
Lady: Por que está rindo?
Jey: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
Lady: Pare de rir! Por que você está rindo idiota!?

Ela faz um chicote de sangue sair do braço e usa para atacar Jey, mas quanto mais ela bate, mais ele ri.

Conde: Hehe…

Conde entendeu. Ou talvez ele ache que entendeu.

Conde: Hehehehehehehe!! HAHAHA HAHAHA!!!

Duque não se distrai com os risos aparentemente sem sentido e atacar novamente, Conde desvia, mas está mais lento com a perna congelada e cai de bunda no chão ao se desequilibrar.
Jey aponta pra ele e ri mais, Conde ri também e logo até Lady está rindo do seu irmão.

Nesse momento Jey ataca. Ele subitamente parou a risada, mas a vampira nem notou, só quando tinha quatro dedos atravessando seu pescoço a fazendo parar de rir com a dor repentina.

Jey: Você já está morta agora!
Lady: (O que?!)

Do outro lado, Duque atacou com sua arma de gelo e Conde rolou para o lado esquivando, mas foi cortado nas costas e a ferida logo congelou também.

Conde: (Isso é mau! Eu espero que seu plano seja mais do que rir e apanhar!)

Ele coloca a mão próxima ao chão e se impulsiona para cima ao liberar um jato de vento na direção so chão, então gira o próprio corpo para se virar e chutar o vampiro gelado no rosto.

Os dois caem no chão, Conde usa o poder de vento novamente para se mover voando por cima de Duque e cortar seus braços com duas lâminas de ar.

Duque: Não vai me matar Traidor?
Conde: Eu não estou contra vocês ou a organização. Eu vou trazer Jey e os outros pro nosso lado, mas vocês começaram a luta antes de me ouvir.

Jey ouviu isso com suas orelhas de elfo.

Jey: Ah então é assim? OK então.

Ele concentra toda sua força no braço e a vampira tenta o impedir segurando o braço e fazendo mais marcas de maldição, mas com muito esforço Jey consegue mover seu outro braço o levando até próximo ao peito como se rezasse com uma mão, inspira e solta o ar.
O pentagrama se formou ao redor dele com símbolos em cada ponta, as marcas da Maldição de Drácula se quebram e ele tirou a mão do pescoço dela, ficando protegido dentro do círculo mágico.

Lady: Ma-mas eu sou uma Herdeira direta de Drácula! Meu sangue é puro! Eu tenho a mão direita do Rei Vampiro! Como um simples ritual de banimento como esse pode quebrar minha maldição!?

Jey fez um som de deboche e fechou o olho direito enquanto descansou seu cajado no ombro.

Jey: Um velho sábio me ensinou.

Jey caiu sentado no chão ao lado da vampira decapitada que estava ainda viva e indignada, olhando Conde também exausto e pensativo.
A névoa se desfaz e Duque se levantou sem seus braços, estancando a ferida com gelo e gesticulando com a cabeça para Lady recuar também.

Duque: Vamos reportar isto para nossa mãe.
Lady: Não espere que ela pegue leve com você depois dessa…

Conde cai sentado exausto após eles partirem.

Conde: O que acha que o pessoal vai pensar quando nos virem assim?
Jey: Que voltamos sem nenhum lanche.

Os dois riram juntos, mas na entrada da arena, existia sim uma pessoa que sentia a falta deles. Jey extendeu a mão pro céu se protegendo dos sóis e ao mesmo tempo, Ran fazia o mesmo gesto como se quisesse alcançar alguma coisa no alto.

Ran: (Será que eles vão voltar a tempo? Eu não sei se estou pronta…)

OLNVCNG Capitulo 44 – Herança Indesejada

“Ah, agora eu entendi!”
“Vai dormir! Odeio quando você faz isso…”

Eu e Alice alugamos um quarto com duas camas na hospedaria mais barata daqui, essa é a terceira vez que levantei essa noite.
Acho que estou ansiosa, como acontecia antes das provas ou antes do meu primeiro encontro.
É, eu já tive um, mas na verdade era uma cilada da Alice e as outras para me zoar.
Agora que lembrei disso, eu uso magia e jogo uma pedra nela.

“Aiiii! Mas que…?! O que foi que eu fiz pra você?!”
“Bullying. Por quase três anos.”
“Aaah… Se vinga de dia…”

Mas de volta ao assunto. Eu finalmente entendi essa porcaria de enigma!
….Eu acho.

Eu lembro que uma vez joguei um RPG baseado no Egito antigo então sei que Thot era um deus do conhecimento, Loki já vi nos quadrinhos e Hermes tenho quase certeza que era o cara com asas no pé. De algum modo, esses três têm algo em comum. Não sei bem o que é, mas os três me lembram um personagem que conheço, principalmente o Loki.
Tá, mas o que diabos Flash tem a ver com tudo isso?
Ele é rápido igual o Hermes né? É zoero igual o Loki… E o Thot? O que tem a ver? É porque ele é cientista?
Isso parece tão caótico…
Caótico?
Maçã!

“É isso!”
“O que é dessa vez?!”
“Caos!”
“…Que?”
“A maçã dourada! Na mão daquele cara!”

Ela me olha confusa e com raiva.

“Eu lembrei agora de um desenho que via quando era criança…”

Alice sacou a faca da mochila.

“Calma! Deixa eu explicar!”
“Rápido.”
“Aquele cara do enigma, a maçã dourada era igual aquela da deusa do caos da mitologia grega.”

Ela continua sem entender nada.

“…E é isso. Eu só entendi até aqui. Tem uma deusa à mais no enigma do cara estranho.”

É melhor deixar descansar e falamos amanhã. Alice volta a dormir e eu deito também, olhando o relógio de bolso que ganhei buscando algum segredo escondido. Usei [ Avaliar ] no relógio e essa foi a resposta:
[ Relógio de Bolso Antigo Danificado ]
Danificado?
[ Ranhura causada por arma cortante. ]
Interessante, isto pode ser uma pista…
Que tipo de arma danificou o relógio?
[ Arma leve cortante. 1~6 de dano + atributos. ]
Nossa, bem preciso! Não tanto ao ponto de dizer qual é especificamente, mas já sei que foi uma faca ou adaga como a que Alice usou para me ameaçar.

Abri o relógio, não sei o que é o símbolo no interior da tampa e tem 18 números invés de 12, então são 36 horas mesmo como eu havia notado nos meus primeiros dias e assim como as letras são diferentes, os números também são.
Análise, como eu consigo ler a língua deste mundo?
[ Isto foi configurado durante a transferência de alma. ]
E porque tem coisas que não consigo ler?
[ Não estão na língua comum ou feérica. ]
Foi como eu suspeitei. Tanto nessa cidade quanto na outra, quase toda loja tinha uma placa com duas ou três línguas diferentes e um símbolo fácil de entender como uma caneca cheia ou um escudo com espadas.

No dia seguinte demos início ao plano, fomos a grande biblioteca no centro da cidade e foi fácil reconhecer os ricos porque usavam roupas brilhantes e coloridas, decorados com jóias e penas e usavam capas ou vestidos longos. Alice comprou roupas novas para se vestir do mesmo modo, embora acabamos adquirindo uma dívida enorme.

“Com qual deles você vai falar?”
“Aquele ali.”

Ela aponta para um levia jovem de escamas mais azuis claras sentado em uma mesa do segundo andar, ele estava lendo um livro de capa preta e bebendo uma taça de líquido vermelho.

“Por que ele?”
“Achei bonito.”

Sua futilidade é tão irritante!

“Tá. Boa sorte.”
“Eu não preciso de sorte.”

Você levou um tiro e renasceu como um peixe, tá precisando de sorte tanto quanto eu.
Só não estrague tudo.

Enquanto ela faz isso, eu procuro informações na sessão de religião e cultura, mas só encontrei informações sobre os deuses deste mundo. Eu pego o relógio novamente pra ver as horas e uma mulher com pele avermelhada e chifres encaracolados se aproxima olhando o relógio como se fosse uma relíquia.

“Isso é de verdade?!”
“O relógio? É sim…”

Caramba! Quanto você pagou nisso?! É uma réplica perfeita!”
“Réplica?”
“NÃÃÃO! Você não vai me dizer que é o original?”
“É…”

Os olhos dela brilham, parece que esse relógio era importante afinal.
A mulher meio-demônio acaba chamando a atenção dos outros, que vêem o relógio também e as reações variam entre aqueles assustados, confusos e impressionados.
Mais rápido do que pude notar, meu relógio já estava na mão de um gnomo e ele estava avaliando com um óculos estranho.

“Pelos deuses! É de verdade! É o original, com o sangue do sultão negro!”
“O que? Sultão?”
“Quanto você quer por isso?! Eu te dou 2 mil!”

Eu tomo de volta da mão dele antes que fuja.

“Não! Não está a v…”
“Eu te dou 3 mil!”
“Eu pago o dobro!”
“Pago 12 mil!”
“35 mil!!”
“50 mil!”
“Eu dobro!”
“300 mil!”
“1 milhão!”

De repente isso virou um leilão! Os caras ricos estão me cercando, não tenho para onde fugir sem machucar pessoas inocentes!

“10 bilhões!”

Todos param, o silêncio retorna a biblioteca. Olhamos para cima e vemos Alice posando dramaticamente como se fosse mesmo tão rica assim. Ouço sussurros dizendo que é impossível, que ela está blefando, mas estão Alice pega um papel mostrando pra todo mundo.

“O que é isso?”
“Eu sei lá, está longe demais para ler?”
“Será que ela sabe disso?”

Ela percebeu a nossa falta de reação então falou pomposa.

“Eu sou a nova dona da Via Escarlate! Estou comprando você, dona do relógio!”
“Pera, o que?”

Todos eles ficam impressionados e desistem de comprar o relógio de mim, se afastando com olhares estranhos direcionados a mim.
Eu vou correndo até Alice.

“Que história é essa?!”
“Relaxa. Você acaba de ser libertada.”
“Alice! Explica direito!”
“Sabe o carinha bonito? Acontece que ele era um vampiro e dono de uma rede de comércio do mercado negro.”
“Hã?”
“E eu ganhei dele em uma aposta.”
“Como diabos ele apostou isso?!”
“Eu disse que se ele ganhasse teria uma tribo inteira pra ele.”
“Alice! Você apostou nossas vidas!”
“Maaaas! Eu usei minha habilidade de menestrél. Disse ‘Você vai perder feio’ e ele perdeu. E então ele inchou, perdeu uns cabelos e criou verrugas, ficou horrendo.”

Vou analisar Alice de novo, eu nunca li as descrições das habilidades dela.
Aqui está!
[ Palavra de Poder – Uma vez por dia pode tornar uma frase de comando em realidade. O nível da influência varia com o nível de Menestrél. ]
Que coisa roubada!
Se ela disser “Que se exploda Maggie!” eu vou mesmo explodir!
E pode ser pior…

“Se usar isso em mim, eu volto pra te assombrar.”
“Eu já usei, mas não funciona porque você tem mais carisma e sabedoria.”
“Ah sua… Enfim. Parece que esse relógio é famoso. Vou esconder melhor pra ninguém me roubar.”

Uma senhora draconiana se aproximou de nós.

“Venha comigo, portadora da perdição.”
“Isso é comigo?”

Ela parece impaciente demais, afastou o colete velho mostrando a garrucha, Alice deu dois passos para trás, mas eu me impus.

“Mostre-me a verdade! Tudo que sabe.”

Ela riu, se virou e foi caminhando, ela quer que a sigamos.

“Gostei de você ousada.”

*****
Revisado por Fretenso

OLNVCNG Sidestory 14 – Estudos De Magia

Eu passei os últimos dias na biblioteca, desde que Magneria e Alice partiram para o mar. Klein e Zefferi seguiram o plano dela, estão pegando pequenos trabalhos na guilda e Klein já ganhou três níveis e comprou uma armadura melhor e Zefferi comprou papel e tinta e alguns doces para mim. Creio que são o que mãe chamava de “chocolate”, mas esse nome não existe aqui.

Não gosto da ideia deles caçando monstros como aventureiros, mas me prometeram que só vão continuar agindo defensivamente ou caçando para comer.

Eu tomo um pouco de leite quente enquanto leio três livros sobre teoria das cores mágicas, o tipo de coisa que aquela feiticeira nunca nem deve ter ouvido falar. Também duvido que ela possa ler mais de dois livros ao mesmo tempo.

As seis cores da magia elemental naestriana são baseadas em quatro planos: o reino de chamas e lava onde vivem grandes guerreiros, o grande mar gelado dos sábios, a floresta densa em uma montanha imponente e o céu tempestuoso de criaturas velozes. As magias brancas e pretas vem respectivamente do Reino dos Deuses e do Abismo, por isso são mais raras e existem classes especializadas como clérigos, ocultistas e arautos.

“É… Você não acha que esses livros não são avançados demais para você?”

Uma mulher alta com um chapéu e um vestido branco interrompeu minha leitura, pela aparência eu diria que é filha de humana com minotauro. Não vou perder meu tempo analisando como Magneria faria.

“Não. Meu pai me ensinou.”
“Bem… É… Onde estão seus pais garotinha?”

Eu suspiro. Mesmo que eu seja criança, eu odeio isso. Todo mundo me trata como se eu fosse uma bonequinha de porcelana, mas com certeza meus status são maiores que os deles.
Pensei em dizer a verdade para assustar ela, mas inventei qualquer coisa.

“Em casa. Cuidando dos negócios.”

Ela fez um murmúrio mostrando que entendeu e parece querer continuar a conversar, mas eu me afasto. Não sei porque, mas não gosto de pessoas mais altas que minha mãe. Não é como se ela me assustasse, mas me incomoda me sentir tão pequena.
De volta a leitura…

O livro diz que as seis cores da magia elemental também representam sentimentos e dizem que alguns podem ver a aura de mana mudar de cor de acordo com o que a pessoa sente. Outro ponto importante é que essas cores não tem relação com tinta ou luz, segundo o mago Himindal as cores são como nós conseguimos entender melhor o mana e por isso o tom descrito varia com a raça e cultura. Enquanto draconianos vêem um vermelho mais forte e brilhante como “rubis flamejantes”, vampiros vêem um vermelho escarlate como a cor do sangue e fadas veem um vermelho quase rosa.

Como imaginava, os livros do meu pai estão um pouco desatualizados. Estes aqui foram escritos alguns anos depois e já possuem fórmulas, feitiços e entidades que nunca vi, além de reinterpretações de alguns textos antigos.

Segundo este outro livro, A Magia Sem Cor, existem 6 cores de magia elemental e magia incolores neutras que corresponde a banimentos, evocações, acréscimos, decréscimos, etc. Também tem um estudo linguístico sobre como a “língua mágica” que usamos é aglutinante e ao mesmo tempo é analítica ou algo assim, mas isso não me importa muito. Terminei o menor dos três, vamos para o próximo.

Hm?
Tem um livro sobre o meu avô aqui no meio, não sei se peguei por engano ou alguém misturou com os outros. Infelizmente a biblioteca só me deixar pegar até 12 livros por mês, então eu contei e realmente algum idiota colocou um décimo terceiro aqui.
Vou devolver.

A bibliotecária é um elfo de robe azul com óculos, ele me ignora a princípio antes de me olhar com desinteresse.

“Já acabou de olhar as figuras daqueles livros garotinha?”
“Vai se ferrar.”
“Seus pais não te deram educação?”
“E os seus que nem te fizeram direito?”

Posso ver a veia na testa dele, então o elfo suspira sentindo a dor de cabeça e sussurra um palavrão em élfico que já ouvi dos elfos negros e do meu pai.

“Diz logo o que você quer.”
“Alguém misturou isso com os meus.”

Ele estranha o livro, reconhecendo o homem-demônio ilustrado na capa. O elfo procura numa longa lista em um caderno onde estão registrados os livros da biblioteca e não encontra, então procura na lista de livros banidos e se espanta. Ele olha para mim de forma repreensível.

“Isso não é coisa para crianças lerem. Não é nosso também, não temos esse tipo de coisa aqui.”
“Isso é algum livro pervertido pro leitor fantasiar com alguém que nunca vai ter?”
“Masoque?!”

Ele se lembra que está em uma biblioteca e abaixa o tom de voz.

“Mocinha, nós temos regras aqui!”
“Ah tá. Porque eu tive que por passar por vários desses até achar algo que presta.”

O elfo parece nervoso, ele ajustou as roupas e o óculos, talvez ele esteja preocupado que eu conte isso aos meus pais. Vou provocar ele um pouco antes de levar esse livro sobre meu avô.

“Eu estava pensando, o que vai acontecer com esse lugar se souberem que tem livros tarados aqui…”
“Você tá me ameaçando?”
“Não, eu sou só uma criancinha inocente não é mesmo? Eu nunca iria te chantagear.”
“Menina idiota, não adianta tentar”

Ele engole seco, mas logo sinto braços delicados e ao mesmo tempo com uma força descomunal me levantando tão fácil quanto uma boneca.

“Popopo… Que garotinha malvada!”
“Ei me solta!”
“Bom trabalho Felicia!”

Eu olho para cima e vejo um sorriso carinhoso e reconfortante, apesar dos braços me esmagando.

[ Felicia Löggæsluna, Guardiã da Livraria ]
[ HP 231/231 MP 0/0 SP 208/213 ]
[ Hostaurus Lutadora Lv 15 ]
[ FOR 43 CON 45 AGI 7 RES 10 ]

[ INT 5 MAG -4 CAR 6 SAB 2 ]

Que status ridiculamente mal distribuído!

Ela é só músculo e carne, nem tem defesa direito! E esses pontos negativos em Magia!?

“Muito bem. Podemos dar uma lição nela agora.”

Frase clichê e ridícula. Eu já vi tantos vilões de livros infantis dizerem isso.
O elfo ajeita o óculos e pega o livro em cima da mesa. Nesse momento eu pude ver seus olhos vermelhos e presas, assim que ele tocou na garota enorme de chapéu nós reaparecemos em outro lugar escuro e sentir um forte mal estar, tontura e ânsia, mas me segurei.

“É um belo dia lá fora. Os pássaros estão…”

Que merda de monólogo é esse agora? Eu só achei um livro estranho e provoquei ele, nem me preocupei de ouvir o resto.
Vou me concentrar em sair desse lugar.

“… Crianças como você deveriam estar queimando no Abismo!”

” Ah tá.”

Ele não esperava minha falta de reação. Azar seu idiota. Expectativa é só a primeira coisa que vou quebrar em você…

*****
Revisado por Fretenso

Capitulo 43 – Morte A Todos Os Asura!

Graças à invenção do Harik, nós conseguimos decifrar a mensagem, mas eu não esperava o que estava escrito ali…

“Dhaandee morreu…?”

Eu engoli seco quando o gnomo extremamente alto leu o papel impresso, isto ainda era um segredo pro resto do mundo. Eu principalmente não queria chamar atenção das pessoas para que não tivesse que virar uma heroína ou algo assim, mas parece que quem escreveu a carta deseja o oposto disso…

“Senhor Harik, o que é maou?”

Uma palavra que só uma pessoa Renascida poderia conhecer, especialmente alguém que veio do Japão ou gosta da cultura pop de lá.

“É o que chamamos de… Demonlord.”
“Caramba! Tipo, aquele cara do mal que xingou o Klein?”
“Deixa eu ver isso.”

Eu estendi a mão para receber o papel e li também. Lá estava escrito “Filha do Carvalho Sagrado, eu a convoco para guerra. Você matou Daandhee da Tempestade, eles querem sua cabeça. Use o poder que te dei, devore seus inimigos. Governe este mundo como a nova maou!¹”

Eu tô mais chocada com a memória da Alice por ter lembrado tudo isso em binário do que com a mensagem!
Já sabia que em algum momento os Asura apareceriam de novo na minha vida, mas sinceramente… Eu só queria ser uma aventureira comum, sem deuses, demônios, dragões e Asura querendo um pedaço de mim.
Bem… É tarde demais para lamentar! Se é esse meu destino então eu vou ficar o mais OP² que eu puder e dar uma surra nesses multi-braços!

“Ei Mag, você parece determinada. Não sei o que esteve pensando aí parada por dois minutos, mas parece bom.”
“Vou comer aquela coisa.”
“Que coisa?”
“AQUELA coisa!”

Eu apontei para cima, onde o leviathan fica circundando.

“Ô! ô! ô! Espera aí! Você quer comer o leviathan?!”
“Isso aí!”
“É… Senhor Harik, eu acho que ela ficou doida.”
“Alice!”
“Sim!”

Ela levantou a mão como se atendesse a chamada da escola, porém assustada.

“Localize a melhor loja de armas daqui.”
“Certo!”
“E você quem vai pagar.”
“Eh?!!”
“Você quebrou meu arco. É justo.”

Ela suspira. Me viro para dupla de inventores, mais diretamente para o anão renascido.

“Já existe a imprensa?”

Isto surgiu antes do Zefferi renascer, eu acho, então se um anão e um gnomo estão inventando um computador nesse mundo quase medieval, deve existir jornais também.

“Ainda não neste continente, mas podemos modificar nosso proto-computador para replicar uma máquina que existe em Kalkazia.”
“Quanto tempo pra fazer isso?”
“Sem os planos originais e ferramentas certas. Hum… Uns 10 dias.”
“10 dias?!”
“Eu preciso dormir! Tá querendo que eu faça em 5?!”
“Não, é que vocês são impressionantes!”

Ele dá um sorriso orgulhoso e o gnomo extremamente alto ajusta seus óculos de proteção.

“Alice, você veio de uma família rica certo?”
“Sim. Meu avô fez muito dinheiro com o tráfico de armas.”

Você faz isso parecer normal do jeito que fala…

“Vou precisar da sua ajuda para encontrarmos um nobre disposto a financiar a imprensa aqui. E também um ataque armado para eliminar a ameaça do leviathan.”
“Você pensou nisso tudo agora?!”
“Sim! Olha, eu li nos livros do Zefferi que o povo daqui adora livros e artes, então tenho certeza que vão financiar isso.”
“Você acha?”
“Não vão ouvir uma aventureira qualquer. Você é a Sacerdotisa do Rio, eu acredito em você!”
“É! Obrigada! Você tem razão, eu sou uma nobre por natureza!”

[ Habilidade Mentir lv 4 se tornou Mentir lv 5 ]
[ Habilidade Mentir lv 5 se tornou Mentir lv 6 ]
[ Habilidade Mentir lv 6 se tornou Mentir lv 7 ]

Eeeeh?!! 3 níveis porque eu disse que acredito nela?!
Eu não queria aumentar o nível de uma habilidade tão problemática…

“Qual será a primeira matéria publicada no jornal?”

Eu penso por alguns instantes…

“ASURA DAANDHEE ESTÁ MORTO.”

Todos eles ficam chocados.

“A Feiticeira de Eldra declara: Eu não vou parar só nele. Só quero PODER! Achas que tens o que é preciso para esmagares a minha determinação?”

Eu ergui os braços visualizando isso escrito entre minhas mãos.

“Digam a eles que a Feiticeira de Eldra será a próxima maou! Eu vou me tornar à rainha demônio e dá uma surra nesses Asura!”

E assim que acabar eu posso finalmente viver preguiçosamente e comer o que e quanto eu quiser!
Mas não vamos revelar essa parte é claro.

Todos ficam estagnados por um momento, então o anão ri muito alto e por um bom tempo. Me sinto ridícula, ele riu tanto.

“Oh, desculpa. Não estava rindo de você, estava rindo porque foi genial!”
“É sério? Pareceu que era de mim…”
“Vamos fazer a máquina, mas você está declarando guerra ao mundo assim. Depois de Szalbar Bhalzarf, ninguém nunca mais quis ser um Demonlord.”

Eu sinto que este sempre foi meu destino, além disso vou realizar o sonho de um amigo e com o poder que terei, poderei enfrentar os Asura e dar uma vida melhor para minha tribo.

“Eu tenho certeza. Eu vou ser a nova Demonlady!”
“E eu? Você vai me arrastar pra uma guerra, então o que ganho?”
“Será minha Ministra da Cultura.”
“Legal… Mas ainda acho que você perdeu a sanidade.”
“Alice, depois de tudo que a gente passou, eu decidi só aceitar as coisas e ganhar poder suficiente pra viver de boa.”
“Certo… Só não diz que eu não avisei.”

O cara alto e ruivo terminou de anotar as coisas que falei e escreveu a matéria, então me puxou para frente de uma cortina branca e ligou as luzes.

“Uma foto para o jornal!”
“É… Claro.”

O gnomo, que só agora percebi que não perguntei o nome ainda, usou um cristal como aquele que Zefferi carrega no pescoço.

“Enquanto a bruxa do mar e tudo mais?”
“Bruxa do mar?! Hahahahaha! Vocês acreditam mesmo nisso?”
“Bem, nós…”
“Launadora tá cansada de ser chamada assim, tudo por causa de um pirata safado!”

Ótimo, agora temos um nome e sei porque Alice não encontrou resultados para “bruxa do mar”, isso é um título. Eu já testei no tempo que treinamos antes de entrar na Dungeon, Alice não pode achar nada só com títulos.

“Bem, na verdade estamos em uma missão para esse pirata safado…”
“Vocês não são as primeiras. Se disseram Bruxa do Mar só uma vez ela mata vocês ou transforma em algo ridículo.”

Isso é bem o que uma bruxa faria…

“Tome isto.”

A mão enorme do anão me entrega um pequeno relógio de bolso.

“Nossa! Para que serve?”
“O mundo mudou tanto desde 1992?! Você não sabe ver as horas?”
“Não, é que… Eu pensei que era um amuleto mágico ou uma bugiganga.”

Harik virou os olhos e suspirou fazendo balançar os pelos do bigode.

“Isso era do Demonlord. Um cara estranho me disse para entregar para uma dríade exatamente no quarto dia do segundo ciclo às 00:59.”
“Isso já passou faz tempo.”
“Eu sei, mas você é a primeira dríade que apareceu aqui e também falou sobre o Demonlord.”

OK. Faz sentido, eu acho.

“Isso deve ser outra peça desse quebra-cabeça maluco…”
“Alguém tá manipulando a gente Maggie, não cai nessa.”

Se tem uma coisa que aquele sonho esquisito que tive queria dizer, é isso:

“Agora já era. Eu tô nesse role e nem sei como vim parar aqui.”

Eu guardei o relógio no meu bolso, agradeci e me despedi dos dois. Antes de ir analisei eles e vi que ambos são estupidamente inteligentes, somados dão mais de 130 pontos!
E o nome do gnomo é Gimulin , agora eu entendi porque ele mesmo não disse…

*****
¹Maou é “rei demônio” em japonês.
²OP é uma sigla de jogos online para Over Powered, ou seja, um personagem muito apelão

Revisado por Fretenso

*Um Ótimo Título Aqui*

Em algum lugar fora do espaço e do tempo, está acontecendo uma reunião entre seres únicos sentados ao redor de uma mesa.

Um homem com chifres vestido completamente de roupas vermelhas bate na mesa.

Vermelho: Já fazem semanas! Você disse que iria voltar, mas veja só! Está tudo tão parado quanto a vida do Azul!

O homem com barbatanas vestido de azul ajusta os óculos indiferente.

Azul: Eu vejo que está carregando sementes, mas não as completou ainda. Isso é trabalho do Verde?

O homem-planta lentamente abriu os olhos e piscou, então olhou ao redor pacientemente.

Verde: Eu apenas… Não. O que era mesmo? Ah… Eu estava trabalhando com aqueles brotos, mas fui apressado. Não é mesmo Amarelo?

O homem pássaro vestido de amarelo virou os olhos.

Amarelo: Ah por favor! Se não fosse por mim ela ainda estaria naquela floresta! Você é lento demais. Concorda comigo Preto?

O homem vestido de preto renasceu em silêncio, ele parecia apático e ao mesmo tempo tinha um olhar profundo, mas então suspirou e falou.

Preto: Não. Tudo tem seu tempo. Tudo tem seu fim… O que importa se é rápido ou de vagar?

O homem alado vestido de branco interveio, ele tinha um rosto cheio de bondade e inocência.

Branco: O caminho. É isso que importa. Nosso caminho não foi o melhor, mas podemos fazer melhor.

Todos se voltaram então para aquele que menos parecia uma entidade cósmica ou divindade. Um gorgon vestindo roupas simples com serpentes pendendo de sua cabeça e um caderno no colo.

Gorgon: Aaah… Eu sei. Eu tenho que achar tempo pra cuidar dessas coisas todas. Eu tô ligado.

O Vermelho fica ainda mais irritado.

Vermelho: Você teve tempo suficiente! Mas você desperdiçou! Pare de brincar Colecionador!

O Colecionador de Histórias, um gorgon que viaja entre diversos mundos apenas com seu caderno, seu cajado e dois instrumentos musicais coletando novas histórias e as contando em outros mundos, por um ano inteiro ele esteve praticamente desaparecido. Alguns pensaram que ele estava morto, mas a verdade é que sua preguiça e o vício em um jogo online o impediram de aproveitar melhor seu tempo livre para escrever.

Branco: Você é o Colecionador de Histórias, você não vai encontrar novas histórias ficando só em casa.
Preto: Você tem sempre outra opção.

O homem de preto sorri para ele mostrando um sorriso assustador tentando ser gentil.

Colecionador: OK… Mas eu tô ocupado demais agora… Estudos, ganhar dinheiro, praticar magia…
Azul: Organize-se. Você precisa se organizar.
Vermelho: E por em prática os seus malditos planos e tarefas.
Verde: Eu acho que… Precisa de mais…

Uma pausa enquanto o Verde pensa.

Verde: Mais motivação. Determinação. Resistência mesmo com tanta dificuldade.
Colecionador: É, eu sei…
Amarelo: Ei! Eu tive uma ideia! Vamos por um desafio: para cada partida ganha de qualquer jogo que jogamos, nós temos que escrever pelo menos um capítulo.
Preto: Que bom que não são pelas derrotas…
Vermelho: Aaaah! Nem me fale! Aqueles arrombados…
Azul: Hm… Não vai funcionar. Precisamos organizar por horas ou números de partidas.
Todos: Uma hora. E isso ficará registrado. Para cada uma hora de jogo, você deve dedicar uma hora às histórias.

O Colecionador suspira e confirma. Então retorna ao mundo real, saindo de sua própria mente onde conversava com seus outros EUs. Havia uma fada alta com grandes olhos observando ele e relutante em cutucar.

Fada alta: Tava dormindo?
Colecionador: Não. Estava ouvindo algumas verdades…

Capitulo 42 – O Anão No Fundo Do Mar

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!

“Chegamos.”

Hã? Heim?
Como assim chegamos? Estamos no fundo do mar rodeadas de peixes, pedras, algas e… Aquela coisa gigante com dentes perigosamente afiados e escamas azuis reluzentes.
Analisar!
[ Rei do Mar Zarkal Leviathan Lv 80 ]
[ HP 1530 MP 985 SP 1040 ]
[ For 105 CON 90 AGI 100 RES 70 INT 5 MAG 25 CAR 50 SAB 10 ]
Nossa, ele deve ser tão forte quanto um Dragão! Me arrependo de não ter analisado Alura para comparação, mas com Zefferi em envenenado e tudo mais, nem tive cabeça para isso.

As anjas nos largam e a aura delas que nos protegeu da água desaparece junto com elas, eu sinto que vou me afogar mesmo que eu seja uma planta!

“Ei, são aquelas duas! Como chegaram aqui?”

Eu sinalizo mostrando que não consigo respirar e Alice não vai sobreviver muito tempo na água salgada então eles rapidamente nos levaram para entrada de uma caverna escondida por uma ilusão, lá dentro tem ar e várias pedras amarelas emendando mana.

“Obrigado.”
“Como passaram pelo Zarkal?”
“Só nós sabemos o caminho pra não sermos vistos por ele. Já estiver aqui antes?”! 

Eu conto tudo que aconteceu na ilha e como viemos parar aqui.

“Entendo… Foi sorte de vocês, aquele maldito voltou pra cá após tantos anos. Alguém precisa eliminar esse leviathan, ele está se tornando uma ameaça ambiental.”

Olhando aquela criatura me lembrou de quando presenciei um confronto entre duas bestas. Eu venho negligenciando minha habilidade de Fagossíntese com medo do que posso me tornar, mas caso eu derrote esse bicho, vou querer suas habilidades.
Ele têm algo que preciso muito para anular minha maior fraqueza: Imunidade a Fogo.
Não há como eu desenvolver essa habilidade naturalmente porque é uma evolução de Resistência a Fogo, mas desde de que comi o wyvern, não encontrei nenhum inimigo com essa resistência.

Nós caminhamos pelo corredor de pedras, brilhantes e liberando oxigênio como se fossem lanternas que geram ar. Elas parecem ter sido colocadas aqui, não são naturais daqui.
Avaliar!
[ Pedra de Mana Amarelo ] 

“O que são essas pedras? São pedras preciosas?”
“Alice não é? Estas são gemas de mana amarelo, importadas do Deserto de Kol, elas que nos permitem ter ar aqui dentro.”

Nossa, eu entendi o que era antes dele explicar! Me sinto uma detetive.
[ Você utilizou a habilidade Avaliar, não Investigar ]
Calado.
Alice toca em uma delas e toma um choque, pude ver a faísca entre seu dedo e a gema.

“Ai!”
“Acho que se esqueceu que magia de relâmpagos também são da linhagem amarela.”

Ao final do corredor chegamos a cidade submarina, cheia de draconianos marinhos, com cores brilhantes e uma forte concentração de mana fluindo, literalmente um lugar mágico, com casas de pedras marinhas enfeitadas com corais, conchas e joias, colunas de pedra esculpidas como os heróis lendários, diversas áreas alagadas como Veneza e uma enorme torre no meio que serve como pilar central.

“É linda!”
“Obrigado. Todos nós trabalhamos duro para tornar esta a mais bela cidade de Septanari.”

O capitão foi nosso guia, ele nos levou até o centro da cidade onde está a torre colossal em um pequeno barco de madeira e Alice foi tocando tranquilamente, foi um tempo curto mas agradável.

“Muito obrigado!”
“Daqui podem seguir para qualquer lugar se tiverem dinheiro. Nós levias não somos gananciosos como nossos primos da terra e do céu, então não se preocupem com preços.”

Acho que ele se referiu aos outros que vi em Adamant e realmente, alguns preços de lá são absurdos. Ele partiu para outro lugar, nós temos que continuar com o plano e achar aquele anão com a máquina.

“Alice, temos que achar o cara com o computador.”
“Eu lembro, aquele lance de 0 e 1.”
“Você disse 0 e 1?”
“Waaaaaaah!”

Um cara alto e ruivo com óculos de aviador apareceu do nada, ele parece ser humano por mais que tenha uma cara de louco.

“Harik. Ei Harik! Essas duas sabem sobre os 0 e 1!”

Um anão vem correndo o mais rápido que suas pernas curtas permitem e derruba o cara estranho com um soco tão forte que soou como um trovão.
Os draconianos ao redor se assustam então o anão agarra o cara estranho e foge o mais huma… “Anãmente” rápido possível.

“É…”
“Eu não sei Alice, mas vamos seguir eles.”
“Era isso que eu tinha medo que dissesse…”

Corremos atrás dos dois até um beco e vimos o anão entrar numa porta pequena arrastando o outro para dentro, como somos mais rápidas, nos chegamos antes dele fechar.

“Espera! Precisamos da sua ajuda!”
“O que vocês querem?!”
“Código binário! Precisamos de ajuda para decifrar um.”

Eu sussurrei sabendo que ele parece querer manter segredo e ele fecha a cara ouvindo o que eu disse, os traços fortes de anão, com corpo musculoso e uma barba loira e bigodes trançados fazem parecer um viking baixinho extremamente raivoso.

“Tá! Entrem!” 
“Obrigado!” 

Eu e Alice entramos, o local era bem diferente do ambiente mágico lá fora, era tudo mecânico e tecnológico, cheio de bobinas e engrenagens, lâmpadas e a estranha máquina que Alice reconheceu do que viu com sua habilidade.

“É aquela coisa ali!”
“Espiões?!”
“AAAAAAAAH!!”

Ele apontou uma arma enorme para nós e Alice surtou!

“Não! Não, calma! Abaixa essa arma por favor, não temos espiões…”

Ele não se mexe, a ama parece ser um mosquete grosso adaptado para um anão.

“Ela têm uma habilidade que pode achar qualquer coisa em qualquer lugar. Ela achou o código binário sendo impresso!”
“Hm… Prove.”

Caramba, você é teimoso como uma mula!

“Esconde alguma coisa e eu peço para ela achar.”
“Olhem pra lá!”

Nos viramos, mas pelo canto do olho pude ver ele andando pra trás e chutando uma ferramenta para atrás de uma mesa.

“Onde eu escondi minha chave de fenda.”
“Alive, acha a chave de fenda do senhor…”
“Harik Thurson.”
“Isso. Acha a chave de fenda dele.”
“Eu não sou um cão farejador sua samambaia!”

Ele destravou a trava de segurança da arma fazendo um som que assustou Alice, então ela se concentrou e apontou para o lugar certo.

“Hm… Vocês não espiaram né?”
“Claro que não!”

Bem, não de propósito.

“Mesmo? Nem viram pelo canto da olho?”
“Não, nem pensei nisso!”
“Eu também não!”

Larga de ser teimoso! Que coisa chata.

“HAHAHAHHAHAHAHAHAHAH!”
“Que?”
“Desculpa duvidar de vocês, podem ficar a vontade.”

Ele desaba o pequeno corpo pesado na cadeira e joga um pouco de água na cara do ruivo que acorda assustado.

“Hã? O que? Quem? Alagamento?!”
“Então, vocês querem decifrar um código binário né?”
“Isso mesmo, está aqui.”

Eu peguei o papel no meu bolso, estava todo molhado e despedaçado.
Droga!

“É a primeira vez de vocês aqui em baixo? Deveriam ter revestido papéis com um encantamento.”
“Ah, eu sei de cabeça!”

Eita! Como você, de todas pessoas, decorou isso?!
Alice está me surpreendendo ultimamente…

“Anotei! Vamos por na maquina chefe!”

“Que droga heim? Eu trabalho por 300 anos para conseguir fazer um computador rústico aqui e talvez leve mais mil para fazer Internet, mas aparece uma garota com essa memória e um motor de busca na cabeça.”

Alice fez uma expressão orgulhosa, ela gosta de se sentir importante. 

“Vocês duas podem esperar ali na mesa, comam e bebam o que quiserem, só não toquem nas minhas ferramentas.”

É difícil não tocar, elas estão espalhadas em toda parte…

Eu me distraí olhando o humano ruivo que estava ajudando o anão. Ele é meio esquisito, mas é o primeiro humano que conhecemos pessoalmente neste mundo.

“O que foi?”
“Não, nada! É que é a primeira vez que falo com um humano desde que renascemos.”
“Ah, eu não sou humano. Eu sou um gnomo muito muito alto.”
“E você, é humano muito muito baixo?”
“Não, eu sou um anão mesmo sua sardinha com pernas!”

Esse anão não gosta mesmo da Alice…

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Revisado por Fretenso