Capítulo 34 – As Três Cidades

Seguimos a deusa em forma “lamianóide” para dentro da caverna, Klein se alegrou provavelmente pensando que era eu e então se armou com seu escudo vendo que não era, mas relaxou ao ver que estávamos juntas agora.

“Me perdoe minha deusa, tive que me levantar contra você por minha amiga.”

Ele se curvou e ela passou direto apressada para ajudar Zefferi, então ela afastou a outra curandeira hobgoblin e se aproximou de Zefferi.
Acho que ela está identificando o veneno e… Eita! Ela beijou ele!

“Caramba! O Zefferi e a deusa são namorados?”
“Goetia, não olha!”

Klein tapou os olhos de Goetia.

“Me solta seu idiota verde! Lembra onde e com quem eu morava? Já vi mais do que eu queria lá!”

Prefiro nem saber o que ela pode ter visto, só de pensar em tentáculos e demônios…
Zefferi abriu os olhos e viu a situação em que está então parece ter entendido ou não se importar. Algum tempo depois Alura se levantou com o que parecia ser o antídoto escorrendo dos lábios.

“Francamente, as vezes penso que você se envenena de propósito só para que eu precise te curar.”
“Como se eu fosse quase morrer apenas por um beijo de uma dragoa.”

Os dois riem juntos e Zefferi vê que não estamos entendendo absolutamente nada.

“Permitam-me, esta é a filha de meu bom amigo Aladromos, Kao Tomo Alura. Mais de uma vez fui salvo por ela, principalmente por falta de um bastão de herpetologista.”

Tenho a impressão de que ele é do tipo que iria alimentar crocodilos com a filha no colo. Fique longe das áraias Zeff.

“Nós… Conhecemos ela. Ela tentou me matar por heresia.”

Alura virou os olhos e Zefferi a repreendeu com o olhar, mas ela ignorou.

“Zefferi, por que estava ajudando essa planta?”
“A profecia de Arumi, além disso, estou em débito com ela e nos tornamos amigos.”
“Você cria mais débitos do que paga. Enfim, meu trabalho está feito, vou voltar para…”

A menina goblin de antes a segurou pela cauda a interrompendo, Alura se virou com raiva, mas parece perdoar por ser uma criança.

“Senhora deusa, eu não sei se você recebeu as oferendas do papai então pode por favor jantar com a gente?”

Que fofinha! Eu queria que Goetia fosse tão fofa quanto essa goblinzinha, mas fazer o que né…

“É… Claro, eu sempre recebi as oferendas. Mas posso jantar sim.”
“Vou preparar meu melhor guisado para nossa deusa!”

Klein vai buscar o caldeirão que carregamos pra fazer comida e alguns goblins ascendem a fogueira tentando mostrar para deusa o quanto são espertos por saberem usar o fogo.
Honestamente achei que a treta com a deusa seria maior dado ao tamanho do problema que arranjei.

“Plantinha, quero que saiba que apenas não te matei porque ele estava me impedindo.”

Sinto um calafrio e um medo no coração quando ela aponta para meu lado onde não havia ninguém. O pior é que agora sei de quem ela tá falando…

“Hm… Mu? Não vi você aí. Ah sim, o elfo. Pois é, terá que esperar muito se depender da sorte dele. Ela também pelo visto.”

Não seria estranho uma criança da idade de Goetia ter um amigo imaginário, mas ela está falando com uma entidade invisível!

“OK, mas não sou sua arauta. Maggie?”

Eu fico pálida por um momento.

“Diz.”
“Ele disse que foi só dessa vez e já está que está esperando pela próxima.”
“Isso não é muito animador…”
“Também disse que para entender porque é ‘escolhida’, precisa ir para Adamant, Bhalzarfia e Kalkazia.”
“Interessante, você é mais do que uma herege então…”

A deusa sibila, dessa vez sem muito sarcasmo em sua voz. Klein retorna com o caldeirão e começa a preparar o guisado também com a expressão de uma criança tentando impressionar os adultos com o que sabe fazer.

“Escolhida? O que eu perdi?”

Zefferi está claramente confuso, então aproveitei que estamos todos aqui para contar minha experiência com a Morte.

“Entendi. Eu iria supor que foi uma alucinação causada pelo veneno se eu mesmo não estivesse no corpo de um elfo com uma deusa dragão logo ali.”
“O mundo de vocês era tão diferente assim?”
“Bastante.”

Alice respondeu por nós e concordamos, Alura deu de ombros e olhou o guisado que Klein prepara.

“Nosso plano original era ir para Adamant de qualquer forma, mas não acho uma boa ideia chegar perto de Bhalzarfia e Kalkasia.”
“Minha mãe é de Kalkasia, disse que é um lugar bonito onde vivem muitos humanos e todos são muito fiéis.”
“Por cima dos panos é mesmo pequena, mas aquele lugar tem uma igreja bastante opressora quanto a magia e ciências, principalmente ocultismo e alquimia. A corte também está cheia de intrigas de familia e ouvi dizer que vampiros são os verdadeiros donos do lugar.”

“Nossa! Parece uma mistura de séries populares.”
“Adorei! Só faltou zumbis.”

Então ela gosta de séries, não sabia…

“Zumbis… Verão muitos em Bhalzarfia. Aquele lugar é uma terra maldita abandonada por nós deuses. Praticam artes obscuras como necromancia, hematomancia e até eromancia. É um lugar tão profano que demônios se materializam com facilidade e anjos que tem o azar de sobrevoar esta cidade são capturados com ganchos e redes para ser corrompidos, escravizados ou sacrificados.”

Até Alura falou com temor…

“Meu pai é de lá.”

Isso, de algum modo, não é surpresa.

“Mas a música de lá é ótima, um renascido inventou algo chamado que chamou de Metal.”
“Mas e Adamant? Como é lá?”
“É a maior cidade da superfície desse continente, habitada principalmente por draconianos, está crescendo graças ao comércio portuário e a proteção do antigo e do novo rei.”

Dois Reis?
Zefferi viu a confusão em meu rosto e continuou.

“O antigo rei foi um aventureiro aposentado que protegeu o lugar, o atual é um dragão prateado.”
“Nossa! Um dragão protegendo a cidade!”
“Seyvonir, me lembro dele. É Psionico e tão orgulhoso que só fala através da mente de um servo.”

Orgulho parece ser algo comum entre dragões, aquele demônio deveria escolher um deles invés de mim.
[ Impossível. O poder dos demônios está equivalente com os dragões e deuses. ]
Então… Espero não ter problemas com outros dragões, demônios e deuses…
.
.
.
É óbvio que vai acontecer, mas pelo menos tô tentando pensar positivo!

*****
Se isso não foi postado na data certa, é porque estava sem Internet.

Capítulo 33 – A Deusa Percebe Seu Erro

Estou correndo para dentro da mata sem direção, mas logo precisarei voltar e acordar Zefferi, antes que…

“Encontrei você.”
“Kyaaaaah!”

A dríade na árvore a minha frente estava com olhos azuis brilhando, a voz dela era igual a voz da Alura.

“Toda essa floresta é meu domínio, esta hamadríade é fraca de vontade e fiel a mim”
“Eu não sei porque me explicou, mas obrigado!”

Eu corri para outra direção e fui encurralada por três pequenos homens-lagartos que apareceram do nada como se estivessem invisíveis antes.

“Esta é a Floresta de Syr, o Jardim de Alura. Todos Syranos pertencem a mim de corpo e alma.”

Os três falaram ao mesmo tempo assustadoramente!
Estou sozinha e cercada, até as árvores são venenosas e estão se dobrando sob sua vontade!
Se eu pudesse usar magia para controlar o veneno também…

Estranho, geralmente é nesse momento que Análise diria que posso usar.
[ Magia de Veneno ainda não foi criada ]
Eh?!! Sério?!! O que ela tá fazendo então?!!

“Garota, você está cercada e prestes a morrer, porque está fazendo caretas aí parada?”
“Desculpe eu me distraí!”

Os servos de Alura param por um momento refletindo a indignação dela, neste momento aproveitei para passar por cima de um dos baixinhos e correr para direção da caverna onde está Zefferi.

“É inútil correr herege.”
“Waaaaaaaah!”

Dessa vez a própria dragoa está na minha frente, o seu olho atingido pela flecha estava curado, me viro para olhar e atrás de mim estão as criaturas venenosas da floresta me cercando com olhos brilhando em azul, alguns homens-lagarto abriram duas cristas como leques avermelhados igual aquele filme de dinossauros.

Ela está brincando comigo como um gato que pegou a presa, já poderia ter acabado em um segundo cuspindo fogo, não entendo porque se dar ao trabalho de fazer tudo isso.

Eu me lembro da grama azul então me esforço para fazer flores semelhantes a ela, esfrego as pontas das flechas nas flores e antes de atacarem eu atiro!

“Funcionou!”
“Você é bem rápida para uma dríade. Então vamos ver se aguenta isso.”

Ela manda várias criaturas atacarem ao mesmo tempo me impedindo de mirar com precisão e usar o sonífero, me obrigando a desviar e atirar sem cuidado, perdi algumas flechas nisso.

Eles fecharam o cerco, estou entre a boca do dragão e a ponta das espadas, não tenho mais para onde correr.
Então eu pulo, corro pelas árvores na copa!
Sou um gên–

“Achou que eu não tinha pensado nisso?”

São um tipo diferente de homem-lagarto controlados por Alura, com uma crista e rabos longos que usam como quinto membro igual um macaco-prego.
Pense Maggie! Pense!

Olhei pra baixo e ví um dragonete espreitando, não está sendo controlado então talvez não seja venenoso.
Olhei para os lados procurando solução melhor e não vi, então vai ser isso mesmo…

“Geronimoooooooo!!”
*raaaawr?!*

Ele rugiu surpreso quando cai nas suas costas e agarrei pelos chifres convenientemente curvados para trás como um gidão. A cabeça é como de um dragão, mas o corpo lembra um lobo escamado (o que não amorteceu muito bem minha queda) e ele está bem agitado tentando se libertar e me pegar com a boca. Eu soquei ele na cara e quase perdi um braço na mordida!

“Hey! Para! Calma aí!”

As criaturas da floresta, controladas ou não, ficam estagnadas vendo uma Kintra como eu fazendo um rodeio com um Dragonete que corre e pula sem parar me levando na direção de onde vim!
Ele para quando vê a dragoa me encarando com surpresa e incredulidade.

“Você tentou domar esta besta para me enfrentar?”
“Não, eu só li num livro! O cara montou no bicho, deu uma porrada e tomou o controle!”
“Não sei se é louca, mas sei que é mentirosa e por isso deve m…”
“Paaaaaaaara!”

Nos viramos para direção do grito e vimos uma pequena menina Goblin, ainda mais minúscula a distancia.

“Parem por favor! Maggie é nossa amiga e… Alura é nossa deusa! Vocês não podem brigar assim!”
“Minha criança, esta herege…”
“Senhora Alura por favor! Deixe ela viva, Maggie nunca disse que era você!”
“Isso aí verdade!”
“Calada herege, está criança é sua única e última chance, pois sou misericordiosa.”

Caramba! Obrigado! Você é muito misericordiosa!
[ Suas palavras na condizem com  a emoção que está sentindo, isto é sarcasmo? ]
Eu suspiro e confirmo.
[ Informação adicionada ao arquivo “Szalbar” ]
A menina continuou seu discurso após o movimento da cabeça escamosa de Alura.

“Senhora Alura, por favor entenda, não é culpa da Maggie. Nós pensamos que ela era você, nos perdoe.”
“Por que me confundiram com essa… Planta?”

Isso fitofobia, sua deusa racista!

“É…”

A menina olha para os mais velhos, o vovô goblin confirma com a cabeça.

“Ela é verde. E rastejou como uma cobra.”

Neste momento, eu e todos que não são goblins falamos a mesma coisa ao mesmo tempo:

“Que?!”
“Isso é sério? Adeus, eu estou voltando pra dungeon!”
“Eu posso ir com você?”
“Hey! Goetia! Alice! Não me abandonem assim!”

A dragoa para elas com a cauda, seu olhar severo é entendido pelas duas.

“Criança acolhida por meu domínio, não tem nenhum motivo mais…”

Ela parecia buscar palavras menos difíceis, afinal é uma Goblin, ainda não cima é uma criança.

“Uma coisa mais importante para ter enganado vocês?”
“Bem… Ela é venenosa e… Ela comeu carne de ‘wyvi” é… É gentil, muito esperta e bonita. Eu sempre ouvi que você senhora Alura era uma deusa boa, inteligente e bonita, eu queria ser como você quando crescer, mas agora parece que não era verdade o que ouvi…”

A menina abaixou a cabeça, vi o olhar da deusa-dragão mudar, parecia que ela se sentiu surpresa e culpada.

“Se a senhora Alura é uma deusa cruel… Me perdoe, mas… Eu prefiro ser como a Maggie.”

Todos nós arregalamos os olhos, os pais da menina tomaram a frente e pediram perdão, se ajoelhando e venerando a Alura que permanecia parada sem acreditar no que acabou de ouvir.
Ferrou! Ela se virou pra mim, eu levantei meus braços indicando que não queria lutar.

“Abaixe seus braços, está ridícula tentando parecer maior.”
“É isso que significa aqui? Desculpa, no meu antigo mundo significava que não quero lutar”

A cabeça de escamas esmeraldas se aproximou em um movimento rápido, o Dragonete em que estou montada está acovardado como um rato na frente de uma cobra. Ela me olha procurando algo e sibila com a língua bifurcada encostando no meu rosto.

“Entendi agora… Você é uma renascida, mas não tem o gosto de uma mentirosa Magneria Hiska.”

Se era só fazer isso, podia ter feito antes…

“É… Eu tentei dizer que não foi de propósito…”

Ela suspira e seu olhar servero parece mais relaxado.

“O que vou falar pro meu pai? Depois desse teatro todo, ainda não consigo lidar com mortais direito…”
“Então… Eu não vou morrer?”
“Vai. É por isso que se chamam mortais. Só não vou te matar.”

O tom casual e um pouco sarcástico não condiz com a imagem imponente, olhei os outros e ninguém tá entendendo nada.

“Como posso explicar…”

Ela pensa um pouco e acha a resposta.

“Nós dragões temos que manter a nossa imagem sabe? Mas essa menina me mostrou que eu tava fazendo errado como deusa.”

Alura acariciou a menina Goblin e ela ficou super feliz, os outros também pediram carinho até Alura os olhar com o olhar severo novamente e pararem repentinamente.

“É… Então, já que não vai matar a Maggie, tem um cara ali envenenado. Pode curar ele e deixar a gente ir?”

Alura vira os olhos ao ouvir Goetia, acho que como deusa ela deve receber pedidos assim toda hora, a curandeira saiu da caverna gritando que Zefferi havia piorado, viu Alura, gritou como uma adolescente fã de ídolo pop e desmaiou feliz.
Acho que não é a toa que as palavras “fã” e “fanático” tem a mesma origem…

“Zefferi está envenenado? Seus… Por que não disseram antes?”

Alura foi envolvida por uma energia brilhante e não pude ver o que aconteceu, quando abri os olhos vi uma garota com traços asiáticos da minha altura com pele verde, flores venenosas no cabelo e rabo de cobra igual uma lamia. Agora até que faz sentido o que a menina falou…

“Me levem até ele.”

Rastejando Nas Profundezas

No subterrâneo naestriano, na sua camada mais profunda antes de chegar ao manto de lava que separa a crosta do centro, estão enterrados os corpos de deuses antigos e esquecidos. Suas consciências permanecem sussurrando em sonhos daqueles que habitam a superfície, com o objetivo de tornar-se egregoras poderosas o suficiente para tomar este mundo novamente e eliminar os novos deuses.

Mas nenhum povo em Naestria os viu tão claramente quanto os svartálfar, que vivem nas ruínas de antigos povos cercados de imagens e ídolos de tais deuses. Muitos ocultistas, clérigos corrompidos, arautos e anti-paladinos habitantes da superfície dariam mais do que sangue pra encontrar essas ruínas e ressuscitar estas entidades, seja em busca de poder ou seja como seus servos.

Entre os svartálfar, existem aqueles que vão mais fundo nas cavernas e talvez até encontrem algo além de imagens, mas os pouco que voltam vivos perderam toda sua sanidade e riem histericamente até morrer sem ar ou sofrem de um profundo desespero dizendo que estão sendo perseguidos, fugindo para superfície, se matando ou sumindo sem deixar rastros.

Também houveram aqueles que voltaram ainda sãos, mas se tornaram calados e introvertidos, mesmo para os padrões svartálfar, tendo também vidas curtas onde ou se tornam aventureiros ou morrem pelo excesso de álcool ou fungos tentando esquecer o que viram.

As únicas constantes na vida daqueles que alguma vez em sua vida já presenciaram a ação de um deus antigo são o horror, o desespero e a insanidade.
O caos domina a mente daqueles fracos de vontade, suas mentes não resistem e caem no abismo sem fim daqueles buscavam o conhecimento, mas encontraram o horror.

Mas então, por que os svartálfar continuam a viver num lugar horrível perto de seres ainda mais horríveis?
Porque não têm outra escolha. Seus corpos que antes eram “vazios” foram preenchidos lentamente pela energia caótica e ancestral destes deuses, os tornando ligados à eles de forma que nem mesmo os abissais ou os habitantes das profundezas submarinas jamais foram.

Os nomes nunca são falados e novas imagens jamais são feitas, mas cada homem, mulher ou criança dos feéricos decaídos já viu e ouviu em algum momento as palavras atormentadoras dos deuses mortos do passado. Aqueles que ousaram os desafiar ou tentaram buscar ajuda ou simplesmente tentaram os descrever e contar seus nomes morreram da forma mais horrível conhecida pelos naestrianos.

Quando você está sob domínio de um deus antigo e faz algo que o desrespeita, ele mandará uma entidade menor cujo a presença maligna pode ser sentida mesmo pelos mais céticos e insensitivos e causando enjoo e espasmos nos mais sensitivos, esta coisa invisível irá fazer o condenado pelos antigos morrer se afogando na gosma negra que sai de sua boca, olhos, ouvidos e nariz enquanto grita desesperadamente em um horror mais profundo e antigo que o medo da morte até que não consiga mais gritar com tanta gosma em sua garganta e enchendo seus pulmões, alguns até dizem que é o próprio cérebro do condenado derretido.
Logo que concluída sua missão, o algoz se vai deixando o horrendo cadáver para trás junto das testemunhas horizadas, um aviso para que não se metam nos assuntos dos deuses antigos…

Já que o último dia do ano…

…Vou revelar os Easter Eggs, segredos das novels e algumas outras coisas.

O primeiro e até agora o maior Easter Egg, é que todo primeiro arco de Monster World (do MW 01 ao MW 21) são inspirados em cartas do tarô ou têm alguma mínima referência como as camisas de Carone ou alguém pendurado no capítulo onde Tech aparece.

Em Outra Light Novel Com Nome Grande tem muitas coisas inspiradas em vídeo game, principalmente Monster Hunter, Zelda e Shin Megami Tensei. (Algumas de Undertale no início porque tava jogando quando comecei a escrever.)

O Jogo do Fim e Mad Maid Café são fortemente inspirado em SMT Devil Survivor e SMT 3: Nocturne, de modos diferentes.

Eu descobri que sempre fui um discórdiano e não sabia porque vivo fazendo coisas que não tem sentido aparente, mas na verdade tem um significado profundo. Além disso adoro bugar a mente das pessoas.

Não sei isso conta como face review, mas está é minha cara desenhada e estilizada. A propósito, sou um mago caoísta. Não que isso importe, não é como se eu fosse enfeitiçar o site e usar as visualizações pra carregar meus sigilos ou algo assim…

Até logo e eu faria uma retrospectiva, mas dá trabalho demais

Sidestory 11 A Escolha

Sempre me disseram que um dia todo herói é colocado a prova, com suas crenças e valores sendo testadas…
Mas nunca pensei que teria que escolher entre levantar minha espada contra minha deusa ou contra minha amiga…

Eu estou indeciso, quero defender a senhorita Maggie, mas não posso me opor a Alura.
Pense Klein! O que Zefferi faria?!
Já sei, ele iria fugir ou conversar com…

“Mag!!”

Pelos deuses!
Vejo um Dragonete atacando Maggie, seus olhos estão brilhando em um tom de azul e vejo as mãos de Alura gesticulando!
Corro e corto a cabeça do Dragonete com toda minha fúria!

“Maggie! Senhorita Maggie!”

Sem pulso!

“Alice, use sua magia branca! Ainda dá tempo de salvar ela!”

A menina ocultista deve ter “Análise”, talvez Maggie ainda tenha HP.

“Eu não…”
“Você tem magia branca sim! Pode curar ela!”

Minha deusa, Alura observou tudo de cima, ela parece confiante de que não vamos conseguir.
Isto me deixa furioso!
Esta não é a deusa em quem acredito!

“Rwaaaaaaaaar!!”

Me perdoe por isso minha deusa, eu preciso lhe trair…

Corro para direção de Alura e pulo na montanha, a escalo correndo e ela se defende com o rabo, mas errou. Eu escalo mais e a deusa cospe suas chamas em mim me obrigando a levantar meu escudo para me defender.

“Desista, você é apenas um mortal!”
“Isso não quer dizer nada!”

Alura ataca lançando veneno sobre mim e a minha resistência natural anulou os efeitos, mas sei que ela usará um veneno mais forte no próximo ataque.

“Não é porque somos mortais que devemos ser submissos! Os Heróis Lendários se oporam contra o Anjo da Morte e venceram!”

Ela expressou surpresa e logo após disfarçou tentando me atacar com uma investida, mas me defendi com meu escudo mágico.

“Seu maldito! Esse por acaso é o escudo que dei a Lardeu?! Você robou do meu Paladino?”
“Eu sou Klein filho de Lardeu! Mas mais importante do que isso, sou amigo de Magneria!”

Eu cheguei na parte menos íngreme e corri com meu escudo erguido e minha espada pronta para atacar. Ela levanta vôo e se prepara para outra baforada de fogo ou talvez irá cuspir veneno.

“Klein o que está fazendo?! É nossa deusa!”
“E a Maggie é nossa amiga!!”

O hobgoblim que me questionou é fiel à Alura como eu, mas todos aqui são amigos da Maggie também. Ela nos conquistou com seu jeito de ser e sua vontade de nos ajudar mesmo que pudesse simplesmente ter fugido quando teve chance!

Alura cospe fogo e meu escudo é pequeno demais para defender minhas pernas deste ângulo, então levei muito dano, mas continuo a correr!

“O que você acha que vai ganhar se opondo a mim?!”
“Não é sobre o que vou ganhar ou perder! É sobre proteger meus amigos de você!”
Eu sinto minha pele ser perfurada por uma flecha, mas de algum modo a flecha desaparece me fazendo mais forte e me curando!
Então outra flecha é atirada, dessa vez atingindo um dos olhos de Alura!

“Deixem de ser insolentes! Essa herege ousou profanar meu nome e por isso deve morrer!”

Maggie! Ela está bem!!
Consegui tempo para que ela fosse curada, mas não acaba aqui.
Vou me certificar que o senhor Zefferi está bem e logo irei atrás delas.

MW 26 Rock It

Gritos. Correria. Desespero.
Um rastro de sangue escorre no vidro onde uma cabeça sem corpo bateu e caiu.
E novamente, nossos protagonistas estão acidentalmente envolvidos nisso.

Jey: Vocês tem armas?

Ran mostra sua katana amarrada a cintura, ela levou ao ferreiro no dia seguinte ao que conheceram Doc, mas não aconteceu nada interessante nisso, Conde tira uma pistola de policial da cintura que ele deveria devolver assim que demitido e Doc olha para os lados e pega uma cadeira.

Jey: Beleza. Porque eu tô só com a Skan.

O cajado novamente surge em sua mão magicamente, foi fácil para os outros deduzir que Skan é o nome da arma mágica.
Eles iam sair para ver o que estava acontecendo, mas as portas se trancaram e telas ligaram com a imagem do organizador do torneio falando.

Organizador: Não entrem em pânico! Repito! NÃO entrem em pânico!
Ran: Como não entrar em pânico?! Pode tá acontecendo um massacre lá fora!
Jey: (A maioria das pessoas não sabe como se comportar em um massacre…)
Organizador: A polícia já foi acionada! Repito, a polícia já foi acionada! Os competidores NÃO devem se envolver ou serão DESCLASSIFICADOS! Repito…

Isto gerou revolta com alguns deles atirando coisas na tela e gritando em várias línguas. Alguns decidiram tentar abrir as portas a força, outros que são capazes de voar tentaram ir para arena, mas também deram de cara com portas trancadas.

Centauro de camisa de anime: Um torneio não é mais importante que a vida das pessoas!
Draconiano que parece rapper: Que se dane o prêmio! Eu não quero ficar preso aqui com alguém explodindo coisas lá fora!
Conde: O que fazemos?
Ran: Eu não sei! Devemos ajudar as pessoas lá fora!
Doc: Eu concordo!
Jey: Tô tentando abrir aqui já!

Eles olham Jey quando ele falou e veem que quem está atacando as pessoas lá fora parece ser um jovem elfo sem camisa com parte do seu rosto transformado em uma monstruosa massa branca e azul e seu peito tem uma esfera negra. Ele explode as coisas movendo suas mãos e rindo, as cabeças das pessoas se aglomeram no chão.

Ran: Meu Deus! O que é aquilo?! Um eater?!

Os outros três responderam, embora Jey estava falando mais par si mesmo do que para qualquer um.

Conde, Doc e Jey: Corrupção…

Jey visualiza o local, se prepara e pula, batendo no vidro como um animal tentando abrir uma porta a força.

Doc: Que droga foi essa cara?!
Jey: E-eu não sei! Eu deveria ter conseguido!

Ele tenta desesperadamente saltar no espaço e não consegue!

Jey: Eu não tô conseguindo saltar no espaço!! Eu tô preso aqui! Como é possível?!
Anja satanista: Pela barbicha de Baphomet! Ele vai matar a criança!

Todos olham para onde a celestial com colar de pentagrama e vestido roxo aponta.
Eles viram através da porta de vidro o jovem com rosto deformado por uma massa borbulhante semelhante a um eater derretido e derramado em sua cabeça se aproximar de um pequeno garoto com a perna machucada abraçando seu cachorro que latia sem parar. Neste momento Jey tentou quebrar o vidro também com o punho, as chamas não se manifestaram mesmo que ele esteja extremamente furioso!

Jey: HEY!! ABRE ESSA MERDA!!

Tecnologia de ponta usada para segurança das pessoas é usada em estádios de combate como este, o vidro reforçado está aguentando os golpes de tantas pessoas que falham inutilmente em tentar usar seus poderes para salvar a criança que não consegue correr e seu amigo peludo que continua leal até agora. Ran tenta desesperadamente controlar a luz no lado de fora assim como outros usuários de Psycho tentam mesmo com seus próprios poderes sem resultados e logo os mais experientes notaram que o local deve estar cheio de neutralizado Res escondidos, aparelhos que neutralizam as ondas psionicas, para segurança das pessoas fora da arena.

Doc: Strïrr keh darpa!! Eles limparam a área aqui! Não dá pra usar Psycho!
Conde: Usa sua magia!!
Jey: Maldito! Não pensei nisso! Espero que funcione!

Ele morde o dedo fazendo sangrar pra desenhar o símbolo mágico no vidro e conjura a magia inventando qualquer palavra, concentrando toda sua fúria nisso carregando com sua energia.

A criança fecha os olhos agarrando seu cachorro que latia tentando proteger seu amigo e então a partir protuberância branca e azul se torna maior, crescendo massivamente e explode deixando a criança traumatizada, mas viva.

Jey: Funcionou! Filho da Strïrr! Funcionou!!

Ele comemora, mesmo sem ter certeza se foi sua magia improvisada ou não que fez isso. Algumas pessoas comemoram junto enquanto outras estão assustadas demais para isso.

Ran: (Meu Deus, o que foi tudo isso?!)

Por causa do que aconteceu, o resto das lutas do primeiro dia foram canceladas e todos mandados pra casa após as trancas serem destravadas.

Na casa da Carone, Ran estava encarando o copo com água e lembrando o que viu.

Star: É… Ran?
Ran: Hã?! Que? Ah, oi Star…
Star: Desculpa, atrapalhei seu scrying?

Star se sentou ao lado da amiga no sofá e Ran olhou confusa com a palavra nova.

Ran: Que? “Escrain”?
Star: Ah tá, você não sabe. Scry é um jeito de ver o futuro, tipo, olhando na água ou num espelho. Nós bruxas fazemos isso, se quiser te ensino.
Ran: Ok.
Star: É… Ainda pensando no que aconteceu hoje?
Ran: Sim… Eu me senti tão impotente e com medo do que iria acontecer.

Neste momento Jey tinha entrado na casa também enquanto os outros estavam fora, ele parou atrás da parede para não interromper. Jey não admitiria, mas sentiu o mesmo que ela.

Ran: Sabe, de que adianta ter tanto poder e não conseguir fazer nada?

Star olhou para ela em silêncio sem conseguir achar uma resposta. Ran bebe a água tentando se acalmar, mesmo depois do que aconteceu em Arcadia ainda tem coisas terríveis lá fora.

Ran: Me diz, o que é “corrupção”?

Elas ouvem duas batidas e veem o rosto pálido com um mugen rato do lado.

Jey: Desculpe interromper, vim buscar umas coisas pra Carone, mas posso responder essa.
Star: Você sempre tem a resposta pra tudo?
Jey: Infelizmente não…

Houve um silêncio antes de Jey novamente convocar seu cajado e dessa vez também sua máscara, que apareceu em sua mão esquerda.

Ran: Isto… É assustadora.
Jey: Eu sei, ela precisa ser assim. É a máscara de um Retalhador de Almas.

O nome gelou a coluna de Ran como um fantasma escalando suas costas.

Jey: Nós, os Soul Rippers, seguimos uma filosofia da “máscara e espada”, em que você veste aquilo que teme e se torna mais forte para lutar.

Ele ofereceu a máscara para que tocassem, Ran relutantemente sentiu que era feita de osso tocando com a ponta dos dedos, mas sentiu a energia que emanava da máscara e tirou a mão.

Jey: Já imaginava que conseguiria ver ou sentir isso. A Máscara e a Espada são seres vivos, sendo a máscara parte do usuário, uma manifestação da sua mente gravada nos ossos de um Eater.
Star: Isto é você?!
Jey: É parte de mim. A pior parte.
Ran: Então… Aquilo que aconteceu…?
Jey: É. A Corrupção. Ele deve ter abusado dos próprios poderes ou então usou a máscara em momento de fragilidade mental como quando estava deprimido ou inseguro por exemplo.
Ran: Entendo…

Ela engoliu seco antes de perguntar.

Ran: Jey, seja sincero… Isto…
Jey: Sim. Isto pode acontecer. Não só comigo ou outros rippers, a Corrupção é algo que acontece com qualquer pessoa. Pode acontecer com qualquer um que força a si mesmo além do que deveria ou não respeita seu próprio corpo e mente.

Ran olhou suas próprias mãos pensando no que aconteceria se ela fosse Corrompida por sua própria luz.

Star: Hey. Não precisa ter medo, é pra isso que estamos aqui. Seus amigos então sempre aqui para ajudar você.

Star sorriu para Ran e ela se sentiu mais segura.

Jey: Mais uma coisa, tem como impedir ou tratar as pessoas antes de chegar naquele estado. Então, mesmo que algo aconteça com um de nós, garanto que os outros vão correndo ajudar.
Ran: Obrigado. Vocês são demais. Amanhã no torneio, vamos arrasar sem medo ou blá-blá-blá.
Star: É isso aí!
Jey: É!
Carone: Jey! Foi fabricar o equipamento?
Jey: Foi mal, eu me distrai aqui e…

Ela viu a máscara na mão dele e sorriu, vendo que Jey finalmente encontrou pessoas em que confia o suficiente para mostrar a parte obscura do seu ser.

Carone: Huhu~! Entendo. (Eu tô shippando tanto esses dois! Ele nunca confiou tanto em alguém!)

Carone pegou o equipamento mencionado com a ajuda dos outros três, chegando lá fora viram o campo de treinamento improvisado montado por Doc, que usava um capacete militar.

Doc: Espero que estejam preparados.